sábado, 19 de dezembro de 2020

Resumo do Livro: "Os Segredos da Mente Milionária", de T. Harv Eker. Editora Sextante.

"Tudo o que alguém classificar como obstáculo, reclassifique como oportunidade."

Harv Eker


1,2 milhão de exemplares vendidos.

E tanto sucesso não é a toa, pois neste best-seller o autor nos ensina a lidar da melhor maneira com o dinheiro (ou com a falta dele).

Tenho certeza de que não ficarei rica apenas por ter lido este opúsculo, pois sinceramente não tenho coragem para colocar em prática tudo o que é sugerido nele. Já para uma pessoa mais destemida, este certamente é um ótimo ponto de partida.

O primeiro passo para ser rico é pensar como os ricos e, segundo o autor, os ricos sempre cumprem seus compromissos, sempre persistem, mesmo diante das mais variadas adversidades.

Isso é verdade, ao menos em relação a pessoas que se tornaram ricas por esforço próprio (e não herdeiros de fortunas) e isso é facilmente verificável lendo biografias de pessoas que enriqueceram assim.

"Princípio de Riqueza:

Pensamentos conduzem a sentimentos.

Sentimentos conduzem a ações.

Ações conduzem a resultados."

Ou seja, todas as suas ações devem ser no sentido de enriquecer moral, mental e financeiramente. Tudo o que não contribua com esses objetivos deve ser desconsiderado e não executado, portanto, Eker sugere que o leitor otimize seu tempo, por exemplo, parando de assistir a bobagens na TV.

Outra dica importante e que vai nessa mesma linha de pensamento é esta: "Pare de se lamentar para não atrair coisas negativas".

Sabemos que a força do pensamento é grande e crucial para se conseguir atingir algum objetivo, por isso mesmo que não acredite que negatividade atrai negatividade, vale a dica para evitar perder um tempo precioso que poderia ser melhor utilizado.  

"Passos para a mudança:

Conscientização: Pense no modo de ser e nos hábitos dos seus pais em relação ao dinheiro. Liste por escrito cada um deles e seu oposto.

Entendimento: Escreva sobre o efeito que esse exemplo vem causando.

Dissociação: Você compreende que esse modelo de ser é apenas um aprendizado passado e não quem você é. Você tem a opção de ser diferente.

Gastos excessivos tem pouco a ver com o que você está comprando e tudo a ver com a insatisfação na sua vida."

O caminho do guerreiro é simples: "Serei rico ou morrerei tentando". Ou seja, dedique-se 100% ao seu objetivo.

Isso percebe-se claramente ao observarmos pessoas que nunca obtém sucesso em negócios próprios, pois muitas vezes elas desistem sem terem tentado tudo o que podiam.

"Focalize o que tem e não o que não tem.

Faça uma lista de 10 coisas pelas quais sente-se grato e a leia em voz alta pelos próximos 30 dias. Se não gostar do que tem, não precisará mais ter."

Pode parecer, ao longo da leitura, que o autor não valoriza o que ele tinha antes de enriquecer, mas antes de terminar de ler o livro, notamos que valorizar o que se tem não significa que não possamos ir em busca de mais.

"O principal motivo que impede a maioria das pessoas de conseguir o que quer é não saber o que quer."

Aqui encontro um ponto de discordância, onde ele afirma que o universo sempre conspira para que atinjamos nossos objetivos quando somos claros e preciso em nossos desejos e pensamentos. Ou seja, que o universo não faz nada para nos atrapalhar, como algumas pessoas sugerem, mas que ele só não nos ajuda quando não comunicamos claramente o que desejamos.

Não há nem o que dizer em relação a isso, a não ser que é uma crença e totalmente sem fundamento, que não o ajudará em nada em sua jornada.

"As pessoas ricas admiram os outros indivíduos ricos e bem sucedidos, enquanto pessoas de mentalidade pobre guardam ressentimento dos ricos."

"Torne-se amigo de pessoas ricas."

Eis uma dica que não deve ser esquecida e que faz todo sentido, pois a quem você apresentaria suas ideias de negócios se não a endinheirados que podem querer investir nelas?

Ele lembra também que não devemos ter vergonha de vender nosso peixe, pois obviamente os consumidores não correrão atrás do seu produto se não souberem que ele existe.

Para melhorar suas táticas de venda ou de apresentação dos seus produtos ou serviços, faça algum curso de marketing caso ainda não tenha feito.

As dicas são quentes e eu acrescentaria também o aprendizado de administração do tempo. Pouquíssimas pessoas sabem administrar bem o seu tempo e por isso passam a vida toda usando-o mal.

Sempre que eu percebo que estou desperdiçando o meu tempo lembro-me que a vida é feita de tempo, portanto, quem desperdiça tempo desperdiça a própria vida (e pior, às vezes desperdiça a dos outros).

"Trabalhe por conta própria, pois nunca ficará rico trabalhando por um salário."

Voltando às biografias dos que enriqueceram por conta própria vemos que todos eles chegaram a isso trabalhando para si mesmos e não apenas para ajudar os outros a enriquecer, como fazem os assalariados. É a única maneira.

"Ao ter uma ideia de negócio dê uma nota de 0 a 10 ao produto que você quer vender. Se for menos de 6, pare de oferecê-lo e parta para outra. O objetivo deve ser oferecer algo útil às pessoas e assim ter mais chances reais de enriquecer."

Hoje em dia o público tem uma enorme variedade de produtos a seu dispor e isso os tornou mais exigentes com relação à qualidade desses produtos, portanto, devemos oferecer bens de valor agregado que vão somar às vidas de quem os adquirir.

Outros exercícios importantíssimos nesta jornada seriam esses a seguir:

Mentalize: Posso lidar com isso, sou maior do que qualquer problema.

Registre por escrito um problema que você tem e liste 10 possíveis soluções para ele.

Liste os 3 maiores medos que você tem a respeito de dinheiro e escreva o que aconteceria se a situação temida acontecesse. Você sobreviveria? O mais provável é que a resposta seja sim. Então pare de se preocupar e comece a enriquecer.

Pratique sair da sua zona de conforto. Tome deliberadamente decisões que o façam se sentir desconfortável. Por exemplo, converse com pessoas com quem normalmente não falaria; ou peça um aumento de salário, etc.

Pessoas de mentalidade pobre acham que sabem de tudo, já as ricas aprimoram-se o tempo todo. Ou você está certo ou você é rico, nunca as duas coisas ao mesmo tempo.

Nada melhor do que estudar também o básico sobre o mercado financeiro em geral, sobre ações e fundos de investimento, pois só assim pode-se fazer o dinheiro trabalhar para você e não apenas você perder toda a sua vida trabalhando para ele.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Descartes e a Revolução na Educação


O método cartesiano pode ser facilmente atrelado à prática de ensino, apesar de não ter sido criado com este propósito. Descartes queria apenas desenvolver, para uso próprio, um caminho seguro para a produção de conhecimentos seguros, não imaginava que seu método se tornaria tão importante para muitos dos grandes pensadores que surgiriam.
Lendo o "Discurso do Método" percebe-se que Descartes considerava impossível chegar à verdade sem antes organizar os pensamentos de modo a dividir e analisar cada problema em quantas partes fossem necessárias para chegar à sua resolução, não aceitando como verdadeiro aquilo que ainda suscitasse dúvidas.
Ele acreditava que todos os seres humanos eram igualmente dotados de razão, mas que muitos não a utilizavam tão bem quanto outros e que era daí que surgiam as divergências.
Na educação, as regras do método cartesiano caem como luvas e, inclusive, é possível notar seu uso em todas as disciplinas.
Na Matemática, por exemplo, os professores normalmente começam a ensinar seus alunos partindo do problema mais simples e mais fácil e só passa aos problemas mais difíceis após os alunos terem entendido bem os mais fáceis, tal como na terceira regra do método de Descartes.
No ensino da Gramática, da alfabetização e do letramento, ocorre o mesmo, sempre partindo-se do ensino das letras, depois das vogais, depois das palavras avulsas, e só depois das frases e dos textos.
Na Gramática e na Matemática vemos também exemplos da segunda regra, que consiste em dividir o problema em problemas mais simples, de modo que se possam considerar separadamente.
Vejo também na biografia de Descartes algo que considero um estímulo à educação autodidata, mas sem necessariamente deixar os estudos formais de lado.
Um exemplo de aplicação da primeira regra (Nunca aceitar como verdadeira alguma coisa que não conheça evidentemente como tal, ou seja, evitar a precipitação) vemos na filosofia e nas ciências naturais, pois para que uma teoria seja aceita ela precisa ser testada não apenas por um cientista/estudioso e sim por vários e sempre seguindo o método científico.
Por fim, a quarta regra (fazer sempre enumerações tão íntegras e revisões tão precisas que tivesse certeza de nada omitir) pode estar presente em todas as disciplinas e em vários momentos da prática docente, pois a cada vez que o professor ensina a seus alunos um novo conteúdo ele revisa esse conteúdo e, graças às perguntas trazidas pelos alunos, pode repensar e rever por outro ângulo mesmo algum assunto que já pareça estar esgotado para si.

Referências:

CORREIA, Wilson. "Formando o Professor de Filosofia: Descartes e a Interdisciplinaridade". Disponível em: <http://educere.bruc.com.br/CD2011/pdf/4699_2406.pdf>. Acesso em 11 de outubro de 2018.

LOPES, L. F.; LIMA, T. C. S. L.; VALESE, R. "Cartesianismo e Educação: Algumas Considerações". Disponível em: <http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/26930_13348.pdf>. Acesso em 11 de outubro de 2018.

OLIVEIRA, Fernando Bonadia de. "Educação em Descartes: Que Educação Racionalista é Essa?". Disponível em: <https://periodicos.uesb.br/index.php/aprender/article/view/3917/pdf_156>. Acesso em 11 de outubro de 2018.

Consequências que Adviriam do Uso Exclusivo do Empirismo na Educação

Caso escolhêssemos, por exemplo, exclusivamente a concepção empirista para ensinar os alunos, creio que correríamos o risco de desencadear uma maior evasão escolar do que a que vemos hoje.
Isso porque, certamente, grande parte dos alunos (e muitos pais de alunos) pensariam que a educação formal é desnecessária — inclusive, muitos já têm esta opinião.
O empirismo, por ser oposto ao racionalismo e defender que a razão não é a melhor ferramenta de aprendizado, poderia levar as pessoas a imaginar que tudo o que precisam para desenvolverem-se como seres humanos e cidadãos plenos é do conhecimento de vida, ou seja, do senso comum.
Sabemos que todos os tipos de conhecimentos tem sua utilidade, mas seria muito pouco inteligente escolher apenas um deles para nos especializarmos. Senso comum sem senso crítico resulta em aberrações tais como largamente exemplificado hoje em dia, em que alguns mal informados gritam afirmativamente "A Terra é plana" ou "A Lua cheia afeta o humor", entre outras falácias pseudocientíficas.
Na atualidade, a prática docente reconhece e aplica tanto o empirismo, quanto o racionalismo, de maneira complementar.
Isso ocorre por conta de toda a longa história humana de erros e de acertos em que diversos dos maiores pensadores já se ocuparam do tema da educação, se preocuparam com o que poderia vir a ser uma educação de qualidade e que formasse adultos conscientes e adequadamente inseridos no mundo.
Já sobre o idealismo, percebo que ele está presente na educação atual também de forma complementar. Um exemplo disso ocorre quando uma pessoa tem muito talento natural para tocar violino e, junto a isso, ela desenvolve uma paixão pela música e por isso passa a dedicar grande parte de seu tempo a aprimorar seu conhecimento musical.
Sabemos que sem a prática constante muitos talentos se perdem e jamais passam a serem conhecidos, o que nos prova que a concepção idealista também é parte fundamental no desenvolvimento humano como um todo.
Acredito que descobrir o quanto antes nossos talentos e trabalhar com afinco de modo a desenvolver nossas potencialidades é o melhor que podemos fazer por nós mesmos e pelas outras pessoas. Do contrário, não adiantaria dedicarmo-nos a tentar aprender algo para o qual não temos aptidão.
Concluindo, felizmente não precisamos escolher apenas uma destas três concepções filosóficas para aplicar na prática docente, senão perderíamos tempo e, com ele, também a chance de desenvolvermos plenamente nosso intelecto e o de nossos alunos.

Referências:

CELETI, Filipe Rangel. "Empirismo". Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/filosofia/empirismo.htm>. 

GASPARETTO, Antonio. "Racionalismo". Disponível em: <https://www.infoescola.com/filosofia/racionalismo/>.

A Paideia e a Educação Brasileira


Nos dias de hoje, praticamente no mundo todo, mesmo que de maneira informal, a maioria dos adultos incentiva as crianças a serem pessoas de boa índole, ética e respeitosas, assim como faziam os gregos na antiguidade.
E mesmo na fase adulta as pessoas ainda são influenciadas pela Paideia, dada a enorme importância da retórica, da ginástica, da filosofia, da gramática, enfim, de várias disciplinas que eram ensinadas naquela época.
No atual contexto da educação em países como Japão e Noruega, por exemplo, a Paideia é de suma importância, justamente por ensinarem às crianças, prioritariamente, como levar uma vida ética. Eles entendem que os outros ensinamentos formais, técnicos, apesar de sua grande importância, são menos urgentes se comparados a ensino dos bons costumes e do respeito ao próximo. Somente depois de terem aprendido isso é que as crianças passam a aprender as disciplinas tradicionais.
Já no contexto da educação brasileira não ocorre o mesmo, muito pelo contrário. Aqui estuda-se o minimamente necessário, somente os conhecimentos que vão servir à atividade produtiva/comercial da sociedade e, para piorar, muitas pessoas não estudam nem mesmo isso.
"Neste mundo de estilo empresarial, racional, num mundo em que se procura o lucro instantâneo, a administração das crises e a limitação dos danos, qualquer coisa que não possa provar eficácia instrumental é um tanto evasiva" (BAUMAN, 2009, pag. 39).
Os princípios sofistas ainda são bastante lembrados e suas teorias exercem influência na educação até hoje. Temos por aí muitos neo-sofistas (principalmente esses gurus da autoajuda empresarial) ganhando montanhas de dinheiro ao ensinar baboseiras como "Goste do seu trabalho, seja qual for" ou "A solução dos nossos problemas está dentro de nós".
Claro que estes encontram-se mais fora dos meios escolar e universitário, mas ainda assim trata-se de um fenômeno digno de nota.
Aqui no Brasil nunca houve a aplicação da verdadeira Paideia no ensino. Desde a época da colonização, com os jesuítas pregando o evangelho, até hoje, não vimos ainda no Brasil, de modo geral, uma educação voltada à formação do homem íntegro e contestador. Ao contrário disso, tivemos apenas ações pontuais em alguns poucos centros educacionais independentes, tais como a Nova Acrópole, por exemplo.
O Brasil só será um país realmente desenvolvido quando a sociedade em geral perceber que vem se auto induzindo a erros persistentes desde sempre e finalmente pararem de premiar os que utilizam-se do tão arraigado e malandríssimo "jeitinho brasileiro".
Há inúmeras mudanças que precisam ser feitas e a maioria delas poderia muito bem ser adaptada da época de ouro da Grécia clássica.

Referências:

BAUMAN, Zygmunt. "Vida líquida". Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

H.R.C.S. "A farsa da auto-ajuda". Ano VI. nº 37, outubro de 2007. Disponível em: <https://anovademocracia.com.br/no-37/131-a-farsa-da-auto-ajuda>. Acesso em 06 de outubro de 2018.

SILVA, Daniel Neves. "O que eram os Jesuítas?"; Brasil Escola. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-eram-os-jesuitas.htm>. Acesso em 06 de outubro de 2018.

A Filosofia como Instrumento na Busca da Felicidade


Santo Agostinho pensava que a felicidade só poderia ser encontrada no entendimento completo de Deus. Ele acreditava que só poderia ser realmente feliz aquele que fosse humilde e filósofo (no sentido de "perseguidor da verdade", da ratio). Assim, para alcançar a felicidade plena, seria necessário buscar o conhecimento pleno das verdades universais (Deus), já que a felicidade não poderia ser encontrada na obtenção de bens materiais.
Durante sua busca, Agostinho passou por várias etapas (a leitura das Escrituras; o estudo do maniqueísmo; o estudo da astrologia; o ceticismo; e o neoplatonismo), antes de chegar à definição da felicidade, que dizia ser Deus "o próprio ser, a realidade plena e total (essentia)". Concluiu que "a percepção do absoluto se dá no espírito, não na fixação do mundo exterior. A volta para o interior constitui-se, então, numa volta para o superior”. Sendo assim, a felicidade consistiria em fazer somente o que Deus quer, a saber: apegar-se somente a Ele, buscar a sabedoria e viver de forma moderada e castamente.
Outros filósofos pensaram também sobre esse tema, também concluindo que a filosofia é um caminho para se chegar à felicidade.
Platão, por exemplo, foi o mais eloquente a dedicar-se a este tema. Em seu brilhante diálogo, “A República”, concluiu que como a justiça é uma virtude e a injustiça é um vício da alma, então o justo é feliz e o injusto, infeliz.
Schopenhauer seguiu uma linha de pensamento parecida com a de Agostinho, quando afirmou que a felicidade só poderia ser alcançada se parássemos de buscá-la nas coisas materiais.
Bom, se levarmos em conta a vida de riqueza na qual Schopenhauer sempre viveu, concluiremos que ele viveu muito longe da felicidade.
De qualquer modo, ele se assemelha a Agostinho quando considera que só o presente é real e que, por isso, deveríamos aproveitar com consciência os poucos momentos livres de contrariedades ou dores e nos dedicarmos à arte e ao conhecimento, pois eles nos libertariam temporariamente da Vontade, esta grande causadora de sofrimento.

Os Tempos Modernos e o Retorno aos Tempos Arcaicos

O filme "Tempos Modernos" passa-se nos anos 30 e, como vários filmes de Charles Chaplin, tornou-se um clássico obrigatório para qualquer fã de cinema.
Mesmo tendo sido filmado em preto e branco, ele ainda mantém sua atualidade por conta de sua abordagem temática.
Mesmo após tantas greves e lutas de trabalhadores ocorridas em diversos países, ainda hoje, no século XXI, grande parte dos trabalhadores (tanto aqui no Brasil quanto nos Estados Unidos) mantém-se subservientes a industriais sem escrúpulos que tentam sugar toda a sua energia e o seu tempo.
Claramente não se pode negar que conquistamos muitos direitos desde aquela época, mas ainda assim, aqui no Brasil, por exemplo, tivemos alguns retrocessos na área de direitos trabalhistas, com a aprovação de novas regras da CLT. Ficou estabelecido que os acordos coletivos de trabalho definidos entre as empresas e os representantes dos trabalhadores poderão se sobrepor às leis trabalhistas definidas na CLT, a liberação da terceirização e também a legalização do trabalho intermitente, que permite a contratação de funcionários sem horários fixos de trabalho, ganhando apenas de acordo com o tempo que trabalharem, ou seja, apenas legalizaram o trabalho informal.
Como vemos no filme (e também no livro "O Capital", de Karl Marx), os industriais já vinham, desde o início da Revolução Industrial, implementando as mais estapafúrdias ideias com o intuito de aproveitar ao máximo o tempo de seus funcionários. No filme, rimos ao ver o personagem de Chaplin testando a máquina de alimentação, mas sabemos que muitos abusos bem parecidos ocorriam e ainda ocorrem nas linhas de produção.
Exemplos disso não faltam. Em pleno século XXI vimos trabalhadores de linha de produção da Nissan (no Mississipi, EUA) serem obrigados por seu empregador a usarem fraldas para que não precisassem "perder tempo" indo ao banheiro durante seu expediente. Esta notícia foi veiculada em 31 de maio de 2016 pelo site "Metal Revista", com dados da Oxfam, que denunciou que essa tem sido a realidade de muitos trabalhadores também do setor avícola (das empresas Tyson Foods, a Pilgrim’s Pride, a Perdue Farms e a Sanderson Farms, que não torturam "somente" animais não humanos).
Enfim, o filme é um marco no cinema e uma obra que merece ser revista com atenção, não somente pela forma descontraída e humorística utilizada para descrever o drama dos trabalhadores no início do século 20, mas também por trazer ao final uma bela mensagem de esperança, com o casal protagonista caminhando por uma estrada em busca de novas e melhores oportunidades.

Referências:

"Multinacionais obrigam funcionários a usar fralda e proíbem ida ao banheiro". Disponível em: <metalrevista.com.br/2016/05/31/multinacionais-obrigam-funcionarios-a-usar-fralda-e-proibem-ida-ao-banheiro/>. Acesso em: 27 de novembro de 2018.

PASCHOALINI, Paulo Cesar. "O homem-máquina de 'Tempos modernos' automatizado em nossos modernos tempos". Portal Raízes. Disponível em: <https://www.portalraizes.com/80-anos-de-tempos-modernos/>. Acesso em: 27 de novembro de 2018.

SANTOS, Aline Lages. "Análise crítica do filme tempos modernos com Charles Chaplin". Portal Educação. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/analise-critica-do-filme-tempos-modernos-com-charles-chaplin/55215>. Acesso em: 27 de novembro de 2018.

SILVA, Pedro. "Resumo do filme Tempos Modernos de Charles Chaplin". Livrologias. Disponível em: <https://www.livrologias.com/filmes/resumo-do-filme-tempos-modernos-chaplin>. Acesso em: 27 de novembro de 2018.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

THE CURE - 2004

Após quatro anos de silêncio -- ou não, já que, entre o último álbum de estúdio (o estonteante "Bloodflowers", lançado em 2000) e este teve o lançamento da coletânea "Greatest Hits", em versão de estúdio e acústica -- a sensacional banda inglesa retorna com o melhor álbum do ano, e olha que em 2004 teve muuuuuuuuuuuito lançamento bacanudo.
Este super disco auto-intitulado remete a toda a carreira da banda.
Sim, digo toda porque neste álbum podem-se encontrar tanto canções melancólicas até não poder mais (como por exemplo a linda “Lost”, a lenta “The Promise” ou a delicada “Anniversary”, que lembram as idens “Apart”, “There is no if...” ou mesmo “A Letter To Elise”) quanto as mais felizes e esperançosas (como a gracinha “Before Three” ou a bela “Taking Of”, que remetem a delirante “Mint Car” ou mesmo a “Friday I’m In Love”), que sempre fizeram parte da carreira do Cure. À primeira audição já é possível perceber essas características que tornam esse o terceiro (seria o primeiro caso não existisse aquela coisa perfeita chamada “The Head On The Door” e aquela outra idem, “Disintegration”. E isso sem mencionar o apaixonante “Kiss Me Kiss Me Kiss Me” e o magnífico “Wish”) melhor álbum da trupe do Bob. E, se esse álbum não está aí para provar nada (pois já está mais do que provado o importantérrimo papel que o Cure exerce no meio musicalístico e, conseqüentemente, na vida de zilhões de fãs), veio para manter a garantia de que o Cure, ao contrário do que muitos pensam, está sim, bem vivo e tem muito ainda a nos oferecer.
Esse presente incrível que o Cure nos deu já abre com a tristérrima "Lost", uma perolazinha linda de doer que, além de abrir o álbum, abre um buraco no coração de tão catastroficamente bela que é. Minha segunda faixa predileta, com o vozeirão do Robert adivinhando nossa dor.
Já "Labyrinth", que vem em seguida, me lembrou o Cure das antigas, que já era bom demais e desde então só tem melhorado. Essa faixa demorou a me conquistar (tinha que ter uma assim), mas o fez irremediavelmente graças a seu imaginário clima de seita satânica.
E o que dizer de “Before Three”?????? Esse maravilhoso delírio sonoro que começa com um dos enlouquecedores gritinhos do Robert, permeia por ondas sorumbaticamente doces e termina por nos arrebatar com sua levada doce. Esse pedaço (o mais delicioso do álbum) realmente me pegou de jeito. E, logo após esse deleite que é “Before Three”, segue a desesperançada “The End Of The World”, o primeiro single. Representa a cura para todos os males, pois tudo nessa música é perfeito. Destaque, como sempre, para a maravilhosa voz de Robert Smith. Muito, muito, muito boa é pouco para descrevê-la. “Anniversary” começa lenta, parte para umas batidas eletrônicas meio New Order e deslancha com a fórmula curística: letra triste e melodia constantemente suave. Outra excelente canção, que não poderia ser melhor*! Bom, poderia sim e “Us or Them” vem exatamente para nos mostrar isso. Toda a raiva contida nos versos gritados pela sensacional voz do Bob (de novo a bendita voz) não é perfeita “apenas” para exorcizar fantasmas antigos, como também para evitar fantasmas futuros. Petardo romanesco poderosíssimo que preenche uma lacuna que não poderia existir num CD do Cure.
“Alt. End”, terceira faixa desse álbum a ganhar clipe (ainda mais fantasmagórico, se assim pode ser dito, que “The End Of The World”) tem arranjos “High” -- não high, mas remetente a leve (!) “High”, segunda faixa do Wish -- e claro, a hipnotizante voz do Robert... Me conquistou após umas cinco ouvidelas. Ao contrário do que aconteceu com “I Don't Know What's Going On”, que foi um flerte à primeira audição. Incrível como em todas as faixas desse álbum brilha um certo ar doce e luz fluorescente (Sabe do que estou falando????) que remete a... “Taking Off”. Sim, essa evidente afirmação de paixão contida tanto na letra quanto nos arranjos dessa belezura transmite aos fãs seu sentimento mútuo. E assim, a perfeição. E, como já foi dito, mais uma amostra do inegável talento do queridíssimo Bob encontra-se em “Taking Off”, o que me leva a desacreditar (acreditando) que algo tão perfeito possa ser real. Robert Smith é o maior gênio que já surgiu nesse mundinho funesto, sem exagero. Correndo o risco de parecer uma grouppie imbecilizada por uma boysband desafinada, preciso dizer que Robert Smith é tão incrivelmente perfeito que nem deveria ser considerado um ser humano. Até porque todos os humanos, por mais próximos que estejam da perfeição ainda estão infinitamente longe. Xii, se eu tivesse bom senso, retiraria essas duas últimas frases daí, mas quem disse que tenho?????? Além do mais, minha babação pode ser um tanto quanto desenfreada, mas não injustificada e “Never” vem a seguir para provar isso. Com primorosa letra (Por acaso há alguma exceção????) e delirantemente pulcra (agora esnobei, hein?!) melodia e maravilhosamente criptografada (!) pelo mestre da melancolia. Mais um saboroso lembrete de que você está ouvindo a melhor banda do mundo todo. “The Promise”, com seus mais de dez minutos de duração, é bela sem ser pedante e me lembrou os tempos de "If Only Tonight We Could Sleep". Letríssima angustiada acompanhada por melodia lenta sustentada (de novo) pela necessaríssima voz de... Ah, você já sabe o que eu vou falar. Enfim, esqueça que a vida é um lixo e ouça essa música maravilhosa sem pressa.
“Going Nowhere” começa de forma idêntica à belíssima "Pictures of You", determina sua força aos dois minutos e arremata com Robert gritando toda sua dor -- ou ao menos um pouco dela. Excelente música que, em sua perdição fecha lindamente o álbum. É extremamente difícil (leia-se "deliciosamente impossível") determinar a melhor faixa desse álbum, a não ser que você seja injusto, pois todas são magnificamente belas, refletindo a alma e estrutura da banda. Mesmo sem jamais ter ido, o Cure voltou em grandíssimo estilo e sinto-me profundamente grata por persistir a criatividade e talento infinitos nesta que é a mais perfeita banda de todos os nossos malditos tempos.
* Refiro-me às músicas que ficaram de fora: “Truth Goodness And Beauty”, que seria a quarta faixa, “This Morning”, a nona; “Precious Advise”, a décima primeira e “Jason #3”, a faixa doze da lista provisória.

Resumo do Livro: "Os Segredos da Mente Milionária", de T. Harv Eker. Editora Sextante.

"Tudo o que alguém classificar como obstáculo, reclassifique como oportunidade." Harv Eker 1,2 milhão de exemplares vendidos. E ta...