Que parvoíce! Nunca falei dos meus filmes favoritos e deveria, lixonautas, deveria! Mas, como nunca é tarde demais para dizer que é tarde demais, aí vai a listeca. Um tanto clichezenta, é verdade, mas clichezantemente honesta.
Pretendia comentar um a um, mas ficaria muito repetitivo, tal como as listas cliposas. A maioria desses filmes listados abaixo, senão todos, são perfeitos em todos os sentidos (roteiro bem costurado, atuações irrepreensíveis, personagens carismaticíssimos, fotografia deslumbrante, direção firme, cenografia incrível, trilha sonora embasbacante...), especialmente o classicaço "Laranja Mecânica", do cineasta mais completo que já pisou neste planeta, cuja genialidade excedia até mesmo os domínios da própria genialidade.
Impressiona o jeito magnífico de expor a crueldade de jovens desmiolados que passam suas agitadas noites a perambular de carro pela cidade espancando anciãos, estuprando atrizes em teatros obscuros, invadindo moradas alheias enquanto cantam "Singing In The Rain".
Não há nada para dizer a não ser que Kubrick é Kubrick e ninguém no mundo pode superá-lo, nem mesmo alcançar o mesmo patamar que ele alcançou, ele não é meu prediletíssimo à toa. Esse filme é conteudisticamente perfeito. Pode-se, com certo esforço, traduzir em palavras as diversas formas de sentimentos humanos que se possa sentir, exceto a sensação mista de incredulidade e satisfação que tomou conta de mim toda vez a que assisti a um desses filmes.
E quanto a "Nove Rainhas", o filme mais significativo dos últimos temos? Não importa o quanto eu o enalteça, ainda não será o suficiente. Bielinski conseguiu atingir a perfeição e abriu os olhos do mundo para o novo cinema argentino, que desatou a produzir belas obras de arte mais ou menos à mesma época em que o Brasil. Nesse filmaço, Bielinski utiliza o recurso da virada da virada da virada em favor próprio como se fosse a coisa mais simples do mundo.
Nesse longa espetacular, ninguém é o que parece. Trapaceiros não são apenas meros trapaceiros, mas verdadeiros mestres da roubalheira. Utilizando-se sempre do princípio da não-violência, a dupla de protagonistas não utiliza nenhum tipo de arma, somente seus cérebros. É uma ode à criminologia-arte!
E, além do roteiro inacreditavelmente bem costurado, tem as atuações mais convincentes (e por isso, perfeitas), por conta do mais talentoso cineasta emergente que já surgiu, e que infelizmente morreu em dezembro, pouco antes de terminar o roteiro de seu terceiro longa.
E quanto a "Caro Diário", o melhor depois de "O Quarto do filho", que o procedeu? Ele também tem o mesmo caráter desbravador e também foi dirigido pelo cineasta mais brilhante de sua época em seu país, assim como Bielinski. Além de simpaticíssimo, o filme é uma delícia, um encanto e, como se já não bastasse, com personagens riquíssimos e atuações que, se nada tem de brilhantes, tem de descompromissada (mas não desinteressada ou pouco entusiasmada) especialmente a do protagonista, o próprio Moretti.
Roteiro interessantérrimo em sua simplicidade e enquadramentos bacanudos (especialmente o da cena em que o protagonista está no carro e a câmera no banco traseiro) e atores e personagens incríveis. Deleite sem igual, eu reassisto sempre que preciso de inspiração.
Quanto a enquadramentos, pode-se dizer o mesmo sobre o francês "Código Desconhecido", que tem cortes quando passa de uma cena a outra, nunca entre as cenas, semiplano-sequenciado e onde o cotidiano simulado é muito real. Só não entrou nesta lista (entrou, mas saiu) porque eu tinha proibido a mim mesma colocar dois ou mais filmes de um cienasta, neste caso, escolhi o inigualavel "A Professora De Piano", do Haneke.
Mas em matéria de simplicidade, poucos ganham de "High Strung", (que no Brasil ganhou o título de Minha Vida é um Inferno, de 1996). Puro mau humor com estilo numa comédia como poucas, que preza realmente pelo texto, é quase teatral, acontece totalmente num único cenário (o a apartamento do protagonista, exceto alguns flash-backs) com uma qualidade assustadoramente acima da média e um roteiro redondinho, milhões de anos-luz à frente da maioria das porcarias do gênero.
Não bastando "apenas" isso (já seria o suficiente para colocar esse filme na minha lista de prediletos), ainda conta com a direção solta e, concomitantemente, cautelosa do Nygard e com a brilhante, magnífica e (oras, por que não?) perfeita atuação do Oedekerk. Ele está mais que fabuloso nessa película, é considerado por mim o melhor trabalho dele.
E a história? Outro ponto fortíssimo, que só não contrasta com a participação especial do Carrey porque ele também se sai muito bem na fita com seus trejeitos e caretas tão peculiares. Isso sem mencionar o fato de que a morte lhe cai muito bem. Este é o melhor semimonólogo do universo!
Não podia deixar de destacar também o suspense americano "Jogos Mortais" (sem falar na seqüência) que foge aos clichês do gênero e tem direção mais que competente do estreante James Wan. É mais do que um bom filme, mais do que um belo exemplo de entretenimento doentio... Este longa é o supra-sumo do supra-sumo, com cenas rápidas de tirar o fôlego, giratórias (tal qual no impressionante "Trainspottin"), minhas favoritíssimas.
Recomendado até mesmo para os que, como eu, não curtem suspenses. Isso sem mencionar a fantástica estréia em longas metragens de Jonze, o príncipe dos videoclipes, o roteiro mais elaborado e original que eu já vi, eu daria um braço, as pernas e um olho para tê-lo escrito.
No quesito grandes atrizes em filmes com roteiros originalíssimos, destaco a melhor atriz em atividade do atualmente: a grande Isabelle Huppert no extraordinário "A professora de Piano". Papel este que precedeu outro de outra personagem hiperperturbada, desta vez no teatro, no pungentíssimo monólogo "4.48 Psychose", da autora mais perturbada e brilhante da história (que Virginia Woolf que nada!), a inglesa Sarah Kane. Quem assistiu jamais esquece, são as personagens mais marcantes de todos os tempos (e nem me venha com Madame Bovary) e só poderiam ter sido interpretados por alguém do quilate de Huppert.
Por falar em grandes atuações, temos a encantadora história de "Malena", no qual a protagonista (melhor que ela, só Audrey Hepburn em sua especialidade) não diz quase nada e consegue expressar tantos sentimentos que não ficariam bem colocados em palavras, e que faz com que o filme chegue quase a ser desconcertante de tão bonito.
Mas o filme que guia minha maldita vida nem é lá grande coisa, pois não tem grandes atuações, nem um grande diretor, nem mesmo um roteiro bem delineado, mas conta com um texto com todos os elementos giselísticos: é "Cercar e Destruir". Tá muito longe de ser um filmaço, mas acredite, é infinitamente melhor do que eu fiz parecer, é indescritível. E tem participação especialíssima do genial Christopher Walken.
Claro, é indesculpável eu não ter incluído aí nada dos mestres Cronenberg, Bergman, Truffaut, Lars Von Trier, Allen, Fellini, Ki-Duk, Kar-Wai, Hitchcock e outros, mas para esses logo publicarei textinhos especiais, pois esses cineastas são especiais demais até para uma lista de melhores.
Sem mais desculpas, vamos a lista gislesca:
1° Laranja Mecânica - Stanley Kubrick
1° Laranja Mecânica - Stanley Kubrick
2° Nove Rainhas - Fabian Bielinski
3° Trainspottin - Danny Boyle
4° Encaixotando Helena - Jennifer Lynch
5° Crash - Estranhos Prazeres - David Cronenberg
6° Quero Ser John Malcovich - Spike Jonze
7° Clube da Luta - David Fincher
8° A Professora de Piano - Michael Haneke
9° Veludo Azul - David Lynch
10° Caro Diário - Nanni Moretti
11° A Flor do Meu Segredo - Pedro Almodóvar
12° Quando Paris Alucina - Richard Quine
13° Minha Vida é Um Inferno - Roger Nygard
14° Bonequinha de Luxo - Blake Edwards
15° Jogos Mortais - James Wan
16° Caráter - Mike Van Diem
17° Filhos do Paraíso - Majid Majidi
18° Magnólia - Paul Thomas Anderson
19° Malena - Giuseppe Tornatore
20° Cercar e Destruir - David Salle
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