À primeira audição, tremi na base. Mal podia acreditar no tamanho da minha decepção greenística, tive a vagarosa impressão de que poderia até ser esmagada por ela. Sim, meu coração (e meus ouvidos) estavam em frangalhos -- e continuam. Minha decepção foi tanta que nem ao menos considerei a hipótese de tecer umas breves linhas (nem mesmo pra resmungar) sobre o álbum. Afinal, como diabos o Green Day, a banda de punk pirulito mais bacanuda de todos os tempos, poderia ter feito um disco tão ruizin? C?O?M?O????????
Pois sim, após não ter tido minha questão respondida, além de perder o sono, fiz outra coisa: prometi me acalmar e, posteriormente, reouvir o "American Idiot". Pois sim, algumas tentativas totalmente fracassadas depois (ué, eu tava com medo) e quase um ano após o lançamento, fiz o que uma fã prestes a se tornar uma ex-fã (e eu que dizia "uma vez fã, sempre paga-pau") faria: entrei em desespero. Depois disso lembrei-me de uma sessão-tortura a que meses antes havia sido cruelmente submetida (e não me refiro à primeira audição do subnutrido álbum greeniano) e resolvi encarar. Ora, aquilo tinha detonado meus tímpanos, mas eles ainda continuavam milagrosamente delgados, elásticos e transparentes, tudo nos conforme.
Só consegui reouvi-lo mesclando-o com alguns dos petardos do "Turn on the Bright Lights", do Interpol e ainda com o excelente e auto-intitulado do Black Rebel Motorcycle Club. E não pense que eu estava tentando fazer um revival dos anos 00', porque não era nada disso.
Sequei as lágrimas e fui ouvir o treco, corajosa, destemida e morrendo de tristeza por ter perdido minha 3° banda favorita. Comecei do começo, com o óbvio, o hit-clipe, o 1° single, o próprio e epônimo "American Idiot". Nem o clipe é lá essas coisas, apesar de ser bacaninha (mesmo que tenha sido dirigido pelo Samuel Bayer, um diretorzinho metido a besta, porém competente -- embora não mais do que isso -- que posteriormente viria a dirigir todos os clipes desse álbum, "Boulevard of Broken Dreams", "Holiday", "Wake Me Up..." e "Jesus Of Suburbia"). Bom, a música até que dá para engolir se juntar à tinta verde do clipe.
Uma música pela qual nutria profunda antipatia, "Jesus of Suburbia" em alguns momentos lembra até mesmo a ótima "The End" (faixa que fecha o indefectível "Dookie" de 1994) e, quando parece que vai engatar, morre tal qual um barbeiro na auto-escola.
"Holiday"... Sabia que odeio feriados? E sabia que é por muitos bons motivos? Essa música acaba de acrescentar mais um à lista. Mas, pior do que a insossa "Holiday", só mesmo "Boulevard Of Broken Dreams". Altamente hitada e te faz implorar para que acabe e te obriga a fazer promessas sobre tentar ser uma pessoa melhor e te incomoda de tal forma que te torna inútil, se você já não for e não acaba nunca, nunca.
Quando você pensa que a tortura acabou e que não podem mais te machucar... Pense melhor, pois está começando "Are We The Waiting". Parece o Ramones fazendo baladinha. De bom nela, só a batera.
"St. Jimmy é... hmm... sei lá o que ela é, só sei que é uma música tão chatinha, mas tão chatinha que nem se deixa ser ouvida por inteiro. Apesar de ter menos de três minutinhos de duração, é um saco.
A melhorzinha** é "Give Me Novocaine", mas ainda assim não chega a impressionar. Outras faixas que também poderiam ser dignas de salvação, caso eu fosse mais boazinha, seriam os hits, mas não é o caso. De qualquer forma, "Give me.." representa um alívio no centro do disquinho.
"She's a Rebel" até que dá para engolir, tem certa energia, mas que também não é lá grande coisa, pois basta a mais leve distração para que ela passe totalmente despercebida. "Extraordinary Girl", que vem em seguida e praticamente segue a mesma linha de sua predecessora, é mais energética e greeniana no melhor dos sentidos. Audível, mas ainda falta alguma coisa. É semiboa. Já "Letterbomb", sinto muito em dizer, é bem sem-graça. É insossa, incolor, insípida, inodora, inópia, inócua, indolor e insaponificável, ora bolas!
Sobre "Wake me Up When September Ends"... Hmmpf, à primeira ouvidela pode até parecer bonita e, com o uso de alguma imaginação, parecidinha com a irrepreensível "When I Come Around" ou mesmo sentir umas aspirações a boinha "Macy’s Day Parade". Mas a grande verdade é que ela não passa de um plágio malsucedido da inigualável "Let Me Give The World To You", do Smashing Pumpkins. Claaaaaaaaaaro que não chega nem aos pés desse exemplo de perfeição que é "Let Me Give The World...", o que não a impediu de tentar e, conseqüentemente fracassar. Basta ouvir com mais atenção para perceber, não há como negar.
O início de "Homecoming", por sua vez, não esconde que, a exemplo de "Wake me up...", esta sonha ser a própria "American Idiot". Pois eu ficaria infinitamente mais feliz se ela pretendesse ser mais parecida com "Welcome To Paradise" ou "Geek Stink Breath". Após o início chinfrim, ela dá uma voltinha e se torna uma ótima espanta-vizinhos, e digo isso no melhor dos sentidos. No final descamba para o lado da enjoada "Are We the Waiting", como se quisesse ser a irmãzinha desta, tsc.
"Whatsername" quase-quase*** chega lá, é uma pena que se perca no meio do caminho, afinal é um caminho longo não só para os padrões do Green Day como para os meus também. Uma música como esta não deveria durar nem um minuto completo, que dirá quatro.
A dolorosa verdade é que este "American Idiot" me faz sentir falta do tempo em que bastava o GD lançar álbum novo para integrar minhas listas de melhores. Não que este seja um álbum tão ruim quanto foi dito, mas é que para os padrões do Green Day, que nunca havia feito uma músca intragável sequer, ele deixa bastante a desejar. Se alguma outra banda -- como por exemplo, o Yellowcard ou o My Chemical Romance -- tivesse concebido o "American Idiot", eu elogiaria até não poder mais, pois seria o melhor trabalho de suas carreiras.
Mas, como se trata de uma banda com o certificado de qualidade do GD, só tenho a dizer que esse é, não o pior, mas o álbum menos essencial de sua carreira. Apesar disso, admito (para o meu próprio bem) que, quanto mais ouço esse disco (embora sem muita vontade) mais ele sobe no meu ranking e isso é bem melhor do que ficar empacado. Ah, só para constar: ainda sou fã do GD, o que não torna esse "American Idiot" bem menos que passável.
* Neste caso, não apenas músicas, mas um álbum inteiro. Se bem que eu poderia passar sem essa.
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