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» Sobrevivendo e desaprendendo, Gis Greene informa: O estilo "rakuna matata" de viver não é uma opção viável.
Pensou que ia passar sem essa, né?
Na verdade, tratei de enlistar aqui os melhores que eu ouvi, não os melhores de todos que foram lançados, pois evidentemente não ouvi nem metade de todos os mais de 200 lançamentos disquísticos deste ano, portanto, contente-se com esta mesmo.
1° Bob Dylan - "Modern Times":
Essa lista foi feita para ele, é toda dele, mesmo não sendo digna de um ser tão sublime em sua simplicidade (embora B.B. King também ocupe o posto), o que o torna intocável, a constar. Sempre o venerei (ele e Corgan são os únicos que merecem isso), não é de agora, e talvez por isso mesmo não tenha ficado muito entusiasmada logo que soube deste lançamento. Mesmo julgando (erroneamente, como eu descobriria logo) que este seria um disquinho só para encher lingüiça na irrepreensível discografia dylaniana (afinal, depois de lançar taaaaaaaaaantos clássicos, pensava que já não havia mais nada a ser feito, impressão idêntica à que tive quando "The Cure", de 2004, foi lançado), resolvi baixar o bichano, só por curiosidade. E tive a melhor surpresa do ano! Imediatamente meu coração disparou, minha voz falhou (só por que eu queria gritar para o bairro todo sobre o quanto esse disco é sensacional), um sorriso tão abobalhado quanto eu se estampou na minha cara e não saiu mais, mandando minha concentração para o raio que o parta! Isso tudo aconteceu logo aos primeiros acordes da magnificamente enrocaiada "Thunder on the Mountain", sendo que ela nem é minha favorita deste disco. Mesmo sendo tãããão tudo, essa aí tem fortes concorrentes a melhor neste discaço, e a mais forte de todas provavelmente é a misteriosa "Spirit on the Water", um jazzinho fofo que lhe arranca mais de sete minutos da sua vida e ainda te deixa com um sorriso bobo na cara e pontua o clima passadista que pairará por todo o disco. A irrepreensível "When the Deal Goes Down" mostra que, se a morte for melódica assim, então não há o que temer, mas sim esperarmos ansiosos por ela. Até porque, na morte não precisaríamos nos preocupar com os males dos tempos modernos (já neovelhos), tais quais os que Dylan (a exemplo baudelairesco) sempre combateu e que continua a fazê-lo neste disco, o que fica bastante evidente na minha favorita "Working Man's Blues #2", que me arrebatou logo de primeira. Não era para ser diferente, pois como uma fã incondicional do já saudoso século XX, a época em que tudo o que há de interessante e necessário foi criado, não consigo não sentir nostalgia de um tempo que nunca existiu ao ouvir essa "Blues 2", mesmo contrariando o mestre, que afirma não ter essa intenção de revisitar nada neste disco, pois a nostalgia ficou para os jovens. Se ele diz, eu acredito, e o que importa mesmo é que cada uma das dez melhores músicas desse ano (opa, bem que poderiam ser as mesmas que compõem esse disco) golpeia você de tal forma que, antes que perceba, estará no mesmo barco, se já não está. Ih, nem citei a capa lindona... Big Yellow Taxi!
Essa lista foi feita para ele, é toda dele, mesmo não sendo digna de um ser tão sublime em sua simplicidade (embora B.B. King também ocupe o posto), o que o torna intocável, a constar. Sempre o venerei (ele e Corgan são os únicos que merecem isso), não é de agora, e talvez por isso mesmo não tenha ficado muito entusiasmada logo que soube deste lançamento. Mesmo julgando (erroneamente, como eu descobriria logo) que este seria um disquinho só para encher lingüiça na irrepreensível discografia dylaniana (afinal, depois de lançar taaaaaaaaaantos clássicos, pensava que já não havia mais nada a ser feito, impressão idêntica à que tive quando "The Cure", de 2004, foi lançado), resolvi baixar o bichano, só por curiosidade. E tive a melhor surpresa do ano! Imediatamente meu coração disparou, minha voz falhou (só por que eu queria gritar para o bairro todo sobre o quanto esse disco é sensacional), um sorriso tão abobalhado quanto eu se estampou na minha cara e não saiu mais, mandando minha concentração para o raio que o parta! Isso tudo aconteceu logo aos primeiros acordes da magnificamente enrocaiada "Thunder on the Mountain", sendo que ela nem é minha favorita deste disco. Mesmo sendo tãããão tudo, essa aí tem fortes concorrentes a melhor neste discaço, e a mais forte de todas provavelmente é a misteriosa "Spirit on the Water", um jazzinho fofo que lhe arranca mais de sete minutos da sua vida e ainda te deixa com um sorriso bobo na cara e pontua o clima passadista que pairará por todo o disco. A irrepreensível "When the Deal Goes Down" mostra que, se a morte for melódica assim, então não há o que temer, mas sim esperarmos ansiosos por ela. Até porque, na morte não precisaríamos nos preocupar com os males dos tempos modernos (já neovelhos), tais quais os que Dylan (a exemplo baudelairesco) sempre combateu e que continua a fazê-lo neste disco, o que fica bastante evidente na minha favorita "Working Man's Blues #2", que me arrebatou logo de primeira. Não era para ser diferente, pois como uma fã incondicional do já saudoso século XX, a época em que tudo o que há de interessante e necessário foi criado, não consigo não sentir nostalgia de um tempo que nunca existiu ao ouvir essa "Blues 2", mesmo contrariando o mestre, que afirma não ter essa intenção de revisitar nada neste disco, pois a nostalgia ficou para os jovens. Se ele diz, eu acredito, e o que importa mesmo é que cada uma das dez melhores músicas desse ano (opa, bem que poderiam ser as mesmas que compõem esse disco) golpeia você de tal forma que, antes que perceba, estará no mesmo barco, se já não está. Ih, nem citei a capa lindona... Big Yellow Taxi!
2° Thom Yorke - "The Eraser":
Grande parte da crítica meteu o pau nesse disquinho aí, como se não devessem o menor respeito ao insuperável Yorke. Bando de desgraçados que não entendem nada! Aliás, esperar entender Yorke é como conceber a idéia de um ladrão honesto, uma utopia gigantesca. Enfim, este "Eraser" nem é tão estranho assim, para mim é mais um belo álbum do Radiohead e digo isso porque amo todas as fases da banda, nem sei se admiro mais a fase "estranha" (Amnesiac, Kid A, OK Computer) ou da fase mais "normal" (Bends, Pablo Honey, Hail to the Thief). Poucos são do tipo que você coloca para tocar e não precisa pular nenhuma faixa, e este pulou pra lista. Só a faixa-título já põe no chinelo todas as outras de quaisquer pseudo-artistinhas que tentam ser esquisitos e pop ao mesmo tempo, mostrando realmente a que veio; o mesmo acontece com a minha favorita, “And It Rained All Night”, maravilhosa, onde mais uma vez nosso mais genialesco extraterrestre dá o ar de sua graça com seus encantadores vocais assombrados. É o tipo de música acelerada e lenta, não dá para entender, só se deliciar. Isso sem falar que tem ainda a também ótima faixa-título (que não consigo parar de ouvir) e sua irmã-gêmea "Analyse" (idem). Minha segunda favorita neste disco é, sem dúvida, a fantástica "Atoms for Peace", tão indesgrudável quanto "Harrowdown Hill", que terminou por me conquistar com sua eletronice desvairada, mas não injustificada. Se bem que isso ocorre no disco todo, assim como os vocais desesperançados que ele sempre proclamou tão bem. À primeira audição, "The Clock" pode ser considerada chatérrima, um poço sem fundo de pedantismo, mas não é nada disso, não. Opa lá, respeito com ela, pois o que a bichinha tem de repetitiva ela tem de grudenta, no melhor dos sentidos. Sim, não sei se enlouqueci de vez, mas essa música é a menos pop do disco e que consegue ser uma das mais radiofônicas (no bom sentido), talvez por se parecer bastante com a excelente “And It Rained All Night”. Não me pergunte como isso se dá, pergunte ao gênio que a fez. Em suma, esse disco é um primor, mesmo que seja redundante dizer isso de Mr. Yorke.
Grande parte da crítica meteu o pau nesse disquinho aí, como se não devessem o menor respeito ao insuperável Yorke. Bando de desgraçados que não entendem nada! Aliás, esperar entender Yorke é como conceber a idéia de um ladrão honesto, uma utopia gigantesca. Enfim, este "Eraser" nem é tão estranho assim, para mim é mais um belo álbum do Radiohead e digo isso porque amo todas as fases da banda, nem sei se admiro mais a fase "estranha" (Amnesiac, Kid A, OK Computer) ou da fase mais "normal" (Bends, Pablo Honey, Hail to the Thief). Poucos são do tipo que você coloca para tocar e não precisa pular nenhuma faixa, e este pulou pra lista. Só a faixa-título já põe no chinelo todas as outras de quaisquer pseudo-artistinhas que tentam ser esquisitos e pop ao mesmo tempo, mostrando realmente a que veio; o mesmo acontece com a minha favorita, “And It Rained All Night”, maravilhosa, onde mais uma vez nosso mais genialesco extraterrestre dá o ar de sua graça com seus encantadores vocais assombrados. É o tipo de música acelerada e lenta, não dá para entender, só se deliciar. Isso sem falar que tem ainda a também ótima faixa-título (que não consigo parar de ouvir) e sua irmã-gêmea "Analyse" (idem). Minha segunda favorita neste disco é, sem dúvida, a fantástica "Atoms for Peace", tão indesgrudável quanto "Harrowdown Hill", que terminou por me conquistar com sua eletronice desvairada, mas não injustificada. Se bem que isso ocorre no disco todo, assim como os vocais desesperançados que ele sempre proclamou tão bem. À primeira audição, "The Clock" pode ser considerada chatérrima, um poço sem fundo de pedantismo, mas não é nada disso, não. Opa lá, respeito com ela, pois o que a bichinha tem de repetitiva ela tem de grudenta, no melhor dos sentidos. Sim, não sei se enlouqueci de vez, mas essa música é a menos pop do disco e que consegue ser uma das mais radiofônicas (no bom sentido), talvez por se parecer bastante com a excelente “And It Rained All Night”. Não me pergunte como isso se dá, pergunte ao gênio que a fez. Em suma, esse disco é um primor, mesmo que seja redundante dizer isso de Mr. Yorke.
3° Morrissey - "Ringleader of the Tormentors":
Disseram que se tratava de um Morrissey menor, igual aos outros e toda essa baboseira, pois discordo veementemente. Ele continua sabendo resmungar sem ser chato, ser e parecer apaixonado sem perder a eloquencia e não poderia ter feito melhor, dado o sucesso (merecido, claro) de seu discaço anterior, o indefectível "You Are the Quarry". Em outras palavras, esperar que se fizesse a mesma coisa dois anos depois seria injustamente rebaixar nosso querido Moz ao mesmo pobre patamar de outros compositores menos talentosos como, por exemplo, o Wayne Coyne (jamais o perdoarei por ter falado tão mal do queridíssimo Ashcroft). Esquecendo essas parvoíces giselistiquianas, pode-se destacar, sei lá, o álbum todo, pois ele mostra que jamais errará a mão para compor canções de beleza inimaginável e letras idem, e agora com um mais a mais, mais letras menos assexuadas e mais mortíferas, por que não?! Hmm... sim, temos a empatricidiosa "The Father Who Must Be Killed", que seria de longe a melhor do ano não fosse aquele coralzinho infeliz de crianças, ofuscando a encantadora e luxuriante voz morrisseiana. Um escorregão que pode ser ignorado, pois a letra é forte (põe forte nisso!) e o ritmo, intenso e curiosamente reconfortante (a vozzzz do Mozzz...). "To Me You Are a Work of Art" não poderia ser mais fofa, linda de morrer como só ele sabe fazer, minha terceira favorita desse disco. Mesmo já bastante destacada (afinal, primeiro single, sabem como é), tenho a cara de pau de destacar ainda a kafkiana e pungentíssima "You Have Killed Me", meio parecida (ou será delírio gislesco?) com "Meds", hit mais recente do Placebo, também um dos melhores singles deste insuportável ano. Só tem uma faixa ruim nesse disco, e ela se chama "I'll see you in far off places", insuportabilíssima, e nem vou me estender sobre o porquê de sua insuportabilidade, você entende logo que a ouve. Sentimento idem ao que provoca "On the Streets I Ran" ou "At Last I Am Born", esta última chega perto dos piores clichês em matéria de harmonia, e onde o coral mala dá as caras novamente. Mas, tudo bem, pois nesse mar de magníficas canções, essas aí podem até passar batidas.
Disseram que se tratava de um Morrissey menor, igual aos outros e toda essa baboseira, pois discordo veementemente. Ele continua sabendo resmungar sem ser chato, ser e parecer apaixonado sem perder a eloquencia e não poderia ter feito melhor, dado o sucesso (merecido, claro) de seu discaço anterior, o indefectível "You Are the Quarry". Em outras palavras, esperar que se fizesse a mesma coisa dois anos depois seria injustamente rebaixar nosso querido Moz ao mesmo pobre patamar de outros compositores menos talentosos como, por exemplo, o Wayne Coyne (jamais o perdoarei por ter falado tão mal do queridíssimo Ashcroft). Esquecendo essas parvoíces giselistiquianas, pode-se destacar, sei lá, o álbum todo, pois ele mostra que jamais errará a mão para compor canções de beleza inimaginável e letras idem, e agora com um mais a mais, mais letras menos assexuadas e mais mortíferas, por que não?! Hmm... sim, temos a empatricidiosa "The Father Who Must Be Killed", que seria de longe a melhor do ano não fosse aquele coralzinho infeliz de crianças, ofuscando a encantadora e luxuriante voz morrisseiana. Um escorregão que pode ser ignorado, pois a letra é forte (põe forte nisso!) e o ritmo, intenso e curiosamente reconfortante (a vozzzz do Mozzz...). "To Me You Are a Work of Art" não poderia ser mais fofa, linda de morrer como só ele sabe fazer, minha terceira favorita desse disco. Mesmo já bastante destacada (afinal, primeiro single, sabem como é), tenho a cara de pau de destacar ainda a kafkiana e pungentíssima "You Have Killed Me", meio parecida (ou será delírio gislesco?) com "Meds", hit mais recente do Placebo, também um dos melhores singles deste insuportável ano. Só tem uma faixa ruim nesse disco, e ela se chama "I'll see you in far off places", insuportabilíssima, e nem vou me estender sobre o porquê de sua insuportabilidade, você entende logo que a ouve. Sentimento idem ao que provoca "On the Streets I Ran" ou "At Last I Am Born", esta última chega perto dos piores clichês em matéria de harmonia, e onde o coral mala dá as caras novamente. Mas, tudo bem, pois nesse mar de magníficas canções, essas aí podem até passar batidas.
4° Belle and Sebastian - "The Life Pursuit":
Lançado no inicio de fevereiro, o maravilhoso sétimo álbum conseguiu a façanha de ser superior a seus antecessores (o mediano "Dear Catastrophe Waitress" e o supra-insosso "Fold Your Hands Child, You Walk Like A Peasant") juntos!!! O que dizer depois disso? Tudo bem que não tem tanta façanha aí, mas o que esse disco tem de maravilhoso pode ser traduzido não apenas em duas músicas (como os supracitados discos sebastianos), mas no próprio conjunto da obra. Tem as mesmas canções fofas de sempre, ("Dress up in you" é puro Smiths!!) acrescidas de umas pitadas psicodélicas (sempre bem vindas), o que resulta em faixas deliciosamente grudentas como "Funny Little Frog" (minha favorita), "The Blues are still Blue", "Another Sunny Day" (perfeita!), com algo a mais... É a tal da maturidade, vindo em boa hora e em grande estilo. Ah, e o melhor: sem a chatura que geralmente a acompanha.
5° She Wants Revenge - "She Wants Revenge" (mesmo sendo de 2005, só o ouvi em 2006, então tá valendo):
Nem sei o que destacar nesse disco, tem tanta coisa boa, talvez por serem todas assombrosamente parecidas com a mistureba que sairia se colocássemos num liquidificador Depeche Mode, Bauhaus, Sisters, Nick Cave e o restante da tropa bacana dos 80'. Ainda encontro-me embasbacada com a potência desse disco, que usa tantos bons lugares-comuns do pós-punk para fazer um... Gothic-rock-do-me-lh-or!-!-! Talvez deva falar do assustadoramente grudento primeiro hit, "Tear You Apart"; ou da depechemodiana "Broken Promises For Broken Hearts", que também puxa para o lado do New Order (sim, Broken Promise); ou da maravilhosidade de sua irmãzona, a despotista "Someone Must Get Hurt" (parecidas, mas diferentes); ou da sombria e supra-apaixonada "She Loves Me, She Loves Me Not"; ou outra das faixas-gêmeas, "I Don't Wanna Fall in Love"; ou do mantra levado por uma batida nervosa de "Out of Control; ou da siouxisiana "These Things"; ou da melhor música intitulada "Sister" já feita no mundo; ou ainda da voz fantasmagórica de Justin Warfield, que que ressuscitou de vez Ian Curtis, mas vai parecer que eu risquei o disco...
6° James Dean Bradfield - "The Great Eastern":
É como um disco dos Manics Street Preachers, mas melhor! Lindaça essa "Still a Long Way to Go", puríssima "Nothing Gets Crossed Out" com "Run" (oras, onde encontra-se a pureza aí?), enfim, é a segunda melhor do disco. E o que dizer de "An English Gentleman"????? Oras, como Somerset Maugham diria, só um genuíno inglês pode ser realmente um gentleman. "To See a Friend in Tears" é a balada mais balada que existe no planeta, bastaria a presença desta para que esse disco estivesse no primeiro lugar desta lista gislesca, isso sim! Ah, claro, não podemos esquecer da melhor, mais "maníaca", mais pop e mais grudenta do disco, do ano, da década, a estonteante "That's no Way to Tell a Lie".
7° Strokes - "First Impressions Of Earth":
Dois de janeiro, quem não se lembra? Desse disco não dá para esquecer. E merecia ter sido decentemente resenhado neste Literalixo, pois teria sido o único a fazer-lhe justiça. Só porque os dois primeiros petardos strokianos eram absolutamente fabulosos, pérolas que brilhantemente ressuscitavam o melhor lado do jargão sessentista em sua melhor forma (um pouco disso é exagero, mas e daí?), não significa que este seja lá muito inferior ao "Room on Fire" ou ao "Is this It", mas "apenas" um Strokes mais bem nutrido. Visto por esse ângulo, e também por aquele que comprova que eu não sei bem do que estou falando, esse "First Impressions..." ainda empolga muito mais do que muito do que de melhor foi lançado recentemente, não apenas por seus ótimos singles ("Heart in a Cage", "Juicebox", "You only live once") e seus ótimos videoclipes, mas por todas as outras faixas que podem parecer sisudas à primeira ouvidela, mas que logo se mostram tenrinhas e macias (especialmente, "Red Light". Siouxiante?). Os Strokes ainda não perderam o jeito de compor boas canções pop, como muitos disseram por aí, e tudo indica que isso não ocorrerá tão cedo, pois passar no teste do terceiro disco (sim, pra mim eles passaram) é ainda melhor do que passar no do segundo. E não pensem que isso é pura babação em cima dos caras, porque não é, não, tanto é que eu nem gostava deles quando só tinham lançado o "Is this it". E chega de me explicar, eu gostei do disco, pô, exceto das faixas que eu não citei!
8° Rufus Wainwright - "Want Two":
Esta magnífica continuação de "Want One" (fabuloso disquinho de 2003), não faz feio e mantém Rufus como o maior compositor dos 00' (título que divide com Ryan Adams, que só não consta nesta lista porque tô dormindo no ponto e ainda não ouvi nenhum dos 11 discos que ele lançou este ano, mas ao menos já tenho pronto o Top 11 dos melhores de 2007... hehe), lotado de belíssimos arranjos e estonteantes sinfonias, isso sem falar na sua arrepiante voz, que continua... hmm, arrepiante. Eu sei que estou me repetindo, pois falei a mesma coisa dos discos anteriores dele (sim, de todos, todos magníficos), mas eu sempre me repito mesmo, até quando não tenho motivo. A diferença na discografia do Wainwright é que aqui a rotina é doce e serena, com poucos desvios e singelas, mas poucas e grandiosas emoções. Bom, temos a minha favoritíssima, "The One You Love", jeitosa que só ela, à moda dos cabarés dos saudosos anos 30, meio parecida com a grandiosa "California", do segundo CD, o mui aprazível "Poses". A diferença está no estilo "Get me Away From Here, I'm Dying" de cantar, que Rufus tão maravilhosamente adotou aqui, o que a tornou tão díspar e, concomitantemente, bastante semelhante a já citada "California". Ficou perfeito.
9° Sonic Youth - "Rather Ripped":
Gostei bastante do anterior, o fantástico "Sonic Nurse", e talvez por isso mesmo este "Rather Ripped" tenha entrado aqui, pois se parece muito com seu antecessor. A descolada "Incinerate" remete a "Dripping Dream", e ainda faz uma ludibriosa alusão a "Disappear", o que a torna tão boa ou ainda melhor do que essas citadas; Já "Or" se parece bastante com qualquer coisa do Pavement, melancólica e delicada, não dá pra cansar dela. Ah, e é cantada quase sobre a mesma base de "Dude Ranch Nurse". Diria que ela é minha segunda favorita desse disquinho, pois coloquei a bichinha pra tocar e não consegui mais tirar. Maravilhosa a parte em que meu Thurston canta: "cannisters of whipped cream in your sweater pockets", é de se derreter... "Do you believe in rapture?" tem uma das melhores letras do disco, onde espetam: "Do you believe in second chance? Do you believe in rapture babe. A terrible hit strikes today? A terrible hit for the parade". É lenta e bonita, uma balada sônica que me lembrou (sem razão em especial) a versão que eles fizeram para a formosíssimosérrima "Superstar" dos Carpenters. Não estou dizendo que foi plágio, só que me lembrou.E pode até parecer batido o assunto de "Sleeping Around", mas não é que continua funcionando bem a contento? Algo como "What you did was wrong, what did you good is gone, nothing you do is right, always ends up in a fight" diz tudo, não? Ah, as comparações idiotas que eu fiz podem parecer mais fruto de um ataque de DEFLGP (Delírio por Excesso de Feitura de Listas Gislescas de Plágios), mas trata-se de um grande elogio lixoso. Não quero dizer que se inspiraram demaaaaaaaais nestas músicas, se bem que é possível dizer isso (sem parecer implicante) de "Jams Run free" que, além de ótima, remete a "1979" pumpkiana, ô coisa boa!
10° "Snow Patrol - "Eyes Open":
Pode-se afirmar que a banda passou com louvor no teste desse quarto disco (quando é que esses malditosos testes acabam, hein? Quando a banda lançar o 70° disco????), depois que seu antecessor, o inigualável "Final Straw" vendeu mais de 2 milhões de cópias. Neste "Eyes Open" eles fazem o que sabem fazer de melhor, sem tentar inventar, nem relaxar. E não acho que a gracinha "Chasing Cars" é mais uma aproximação do Coldplay... Humpft! Comparação inadequada, se bem que eu nem ouço Coldplay (por falar nisso, nem vou comentar daquele clipe novo, vou colocá-lo na lista dos mais bregas do universo)... De qualquer forma, "Chasing Cars" está mais para uma versão mais vagarosa de "Wake me up when september ends", do Green Day (sim, aquela baladinha cuja melodia foi surrupiada da inigualável "Let me give the world to you" pumpkiana), do que para uma "Shiver". Por falar em bandas 'geladas', li em algum lugar que "Chasing Cars" é tudo aquilo que Chris Martin sonha escrever um dia... Concordo, ele deve estar se roendo agora. E eu devo ter tirado o dia para zoar com o Coldplay... Bem, a bombástica "You're All I Have" não tem nem comparação, é disparada a melhor de todas, mas ainda vem acompanhada de "Shut Your Eyes", cuja sonoridade se aproxima da deliciosa "Chocolate", mas sem o mesmo brilho desta. Uma que achei bem chata, mas que ainda mantém certo nível é "Ask Me How I Am", que quase estraga a linearidade deste ótimo disco. outra que tenta seguir na mesma trilha é "Open Your Eyes", que quase provoca convulsões de tanto que a coitada se repete. Claro que não chega a tanto, precisaria bem mais que isso para estragar algo tão bom. "Headlights on Dark Roads" é uma preciosidade que se assemelha à carro-chefe "You're all I have", no mais requintado (não requentado) estilão de autoplágio certeiro; "Set The Fire To The Third Bar", com Martha Wainwright, é a estrela do disco, a cereja do sorvete, a estrela no topo do pinheiro, a faixa mais embasbacante de todas, linda de morrer, nem precisava desses clichezões lixescos aí para descrevê-la.
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