Por que diabos a vida não pode ser como na ficção, hein?
Ora, é tudo por causa dos seres humanos. Não entrarei em detalhes sobre este desquerido assunto, pois acredite, tenho coisa melhor para fazer. Além do mais, esses seres humanos de meia-tigela já receberam muita da minha atenção e do meu tempo.
Como eu ia argumentando, na ficção costuma acontecer coisas impraticáveis na vida real. Não, definitivamente não me refiro àquelas cenas maluquetes de tirar o fôlego que tem em onze entre dez filmes de ação. Se bem que quase todas essas cenas são fáceis de serem reproduzidas na nossa vidinha chata, bastando para isso apenas capotar com um carro ou pular para fora dele em movimento. Refiro-me, sim, à coisas como a aplicação de psicologia barata como um fator salva-vidas num complicadíssimo caso de sequestro ou à clichês de outras categorias. Não que a vida não seja transbordante de clichês, muito pelo contrário.
O que quero dizer (estou conseguindo?) é que chavões reais diferem dos fictícios.
Veja alguns exemplos e compartilhe da minha mais que jeitosa teoria.
» Amizades incondicionais: Você acredita que isso realmente exista??? Eu costumava acreditar...
» Pessoas dizendo palavras cujo significado as torna proibitivas. Que palavras são essas? Ora, primeiro me diga qual parte de "proibitivas" você não entendeu.
» Sentimentalismo bobo para acalmar bestas quadradas fora de controle. Por exemplo, um serial killer é sempre aquele cara que, quando criança foi humilhado pelos colegas na escola, então a psicóloga conversa com ele, ambos choram de emoção e ele se entrega, dizendo que se arrepende de tudo. Isso jamais daria certo na droga da nossa vida.
» Personagens que passam o tempo todo trocando insultos e, no final, tornam-se amiguinhos. Isso nos traz de volta a pergunta que não quer tirar férias: Por que esse texto não vem acoplado a um saco de vômito?
» Personagens que se importam um com o outro. Isso é mais inconcebível do que um celular que funciona quando necessário.
» Personagens que nunca morrem. Tem uns que são realmente duros na queda: caem de arranha-céus, são atropelados por caminhões de cinquenta toneladas, levam vassouradas de uma velha maluca e só quebram um braço.
» Tudo é exagerado. Por exemplo, quando uma criança toma café na TV, geralmente ela exagera na dose e fica exageradamente elétrica. Ou quando uma personagem encontra um hobby, ele se transforma em obsessão. Na TV, tudo é vício. Um vício exagerado.
» Os seriados, os personagens nunca têm problemas de verdade. É sempre assim: ou estão fazendo tempestade em copo d'água ou descobrem no fim do episódio, que jamais existiu um problema.
» Sempre que alguém conta uma mentira, a verdade acaba se revelando. Talvez isso ocorra porque o mundo da ficção segue à risca a regra de Aristóteles Onassis, que pregava que não ser descoberto numa mentira é o mesmo que falar a verdade.
» Os pais sempre são compreensíveis e legais e, quando fazem alguma burrada não hesitam em pedir desculpas aos filhos.
» Nas comédias mal sucedidas, todos os personagens sempre tentam parecer engraçados, mesmo que tenham um senso de humor inacreditavelmente inferior ao meu.
» Não existe ódio. Mesmo quando os personagens não são muito amorosos, ainda assim não há rancor que perdure. Que coisa!
» Não importa o que aconteça, tudo sempre termina bem. Isso é totalmente incompatível com nossa horripilante realidade.
» Personagens intratáveis. Sim, eles beiram o abstracionismo, pois no fim terminam tão humanamente normais quanto os outros.
Bom, mesmo não sendo quase nada, isso é tudo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário