Isso mesmo, fazendo jus ao título deste blog, a sua filantrochata humanotária antropobesta favorita está de volta, pronta para ajudar aos que não querem ser como ela!!!!!!!!!
Puxa vida, eu já tinha me esquecido como Sheldon é bom. Ele tem um talento dos infernos, além de ser um workaholic hiperprodutivo – sim, amigos, existem workaholics pouco produtivos e eu sou um exemplo (im)perfeito deste tipinho. Agora eu entendo porque todas as personagens dele têm vidas perfeitas (e seus romances, finais felizes): é porque ele retrata fielmente a sua época e seu meio ambiente; porque ele vive rodeado por pessoas ricas, bonitas e famosas; porque ele também é assim, porque sua própria vivência exemplifica que é possível conseguir milhões de dólares com trabalho árduo, perseverança, sortesortesortesortesortesortesorte e talento, afinal, ele é um dos pouquíssimos que não é um best-seller à toa, um entre um bilhão de seres. Ele fez sucesso com sua própria fórmula (que tantos tentaram, em vão, copiar - e eu me incluo nesta lista, mas há uns cinco anos desisti), que inclui grandes perseguições, heróis além da imaginação, vidas mais que gloriosas, personagens que são superbonzinhos ou ultraperniciosos, estórias cheias de reviravoltas (virada da virada... da virada), quase um estilo novelesco (mas com muito mais classe e menos ingenuidade babaca), mistura alguns gêneros (mas nada a ver com o new new weird), 60% de ação, uns 40% de romance, numa narrativa delirante e envolvente (grau de grudência: 100%!); muitas personagens, e todas elas com estórias de vida bastante incomuns (ou muito tristes ou muito maravilhosas) e por aí vai. Sheldon pode ser criticado por seus diálogos irritantemente telenovelescos, pelos freqüentes parênteses com pensamentos vergonhosos dos personagens e por sei lá mais o que, mas a verdade é que ele ainda assim, merece todo esse auê em torno de sua obra literária porque descobriu uma fórmula infalível para agradar a TODOS os públicos. Eu seria a primeira a torcer meu grande nariz para ele, mas a verdade é que não é qualquer um que consegue usar elementos intelectualmente tão chinfrins para criar estórias espetaculares e instigantes. Ele provavelmente tem alguma coisa que somente seus personagens mais brilhantes têm: nasceram virados para a Lua. Admito que o invejo, mas o admiro acima de tudo. É um caso raro em que inveja e admiração andam juntas e em harmonia. Ele foi o primeiro grande escritor que abrilhantou minha nojosa vidinha. Ele foi o primeiro que me ajudou a passar boas horas em agradabilíssima companhia, me fez esquecer a minha ultra-ordinária semivida (que já tinha começado a se mostrar insuportável quando eu tinha sete anos), por algumas horas gloriosas, afinal, não é essa a grande sacada das Artes? Nos transportar para outra dimensão, em que essas leis ridículas dos humanos ridículos não existam? É essa a real função da arte, a abstração (além de instigar, conduzir pensamentos, discutir conceitos e outros), é isso o que procuramos quando vemos um filme, quando ouvimos música ou quando lemos um livro! A arte serve para nos arrancar de nossas vis existências e nos trazer um pouco de diversão e acalento; serve para nos mostrar que nem tudo neste mundo nojento e cruel é tão nojento ou tão cruel. E Sheldon o faz brilhantemente, por isso sempre foi e sempre será um dos meus dez mais.
Os sheldianos mais recomendados pela Giselíssima: "As Areias do Tempo"; "O Reverso da Medalha", "O Outro Lado da Meia-Noite"; "Se Houver Amanhã". Recomendaria também "Um Capricho Dos Deuses" e "O Fantasma da Meia-Noite", mas não o farei pelos seguintes: "O Fantasma..." é infanto-juvenil, o que não permitiu a Sheldon que demonstrasse todo o seu valor; além do mais, esse livro tem para mim um valor mais sentimental que literário; já "Um Capricho dos Deuses" tem uma narrativa tão viva quanto os outros, mas infelizmente peca muuuuuito nos clichês de "família de classe-média ultrairritantemente comum" muito mais do que eu qualquer outro de seus romances. O mesmo acontece com a bestalóide protagonista do surpreendente (não são todos?) "Conte-me Seus Sonhos", que conta com enredo mais que genial sobre assunto pouquíssimo explorado e superinteressantérrimo, o TDC (ops, spoiler!).
Enfim, vamos aos principais truques sheldonianos:
1 - Conte estórias de personagens que 'se fizeram por si mesmos' e chegaram a níveis inimagináveis de riqueza e sucesso na carreira, como todas as personagens 'perfeitas' do Sheldon;
2 - Adote um estilo 'telenovelesco', isto é, personagens e diálogos cliclezentos;
3 - Não se esqueça de incluir de 7% a 10% de cenas de sexo. E pode ir esquecendo as convenções sociais, seja "semi-udigrudi", se aproximando de porno-escritores chinfrins como Harold Hobbins e Charles Bukowski
4 - Cite sempre muitos nomes de ruas, bares... Faça seus milhões de personagens andarem por milhões de ruas. Isso tudo ajuda bastante a encher linguiça,a ssim como falar de aspectos da vida de cada um dos personagens;
5 - Inclua personagens que são superhumanos (superdisposição, superbeleza, QI inimaginavelmente alto, muito carisma, etc), que façam até mesmo pessoas ultraegocentristas se sentiriem piores que lixebas podres;
6 - Todos os personagens (ou quase todos) tinham algum graaande segredo, que eram arremessados no leitor sempre que o gongo tocava. Use isto;
7 - Narração sempre na 3ª pessoa do singular, onipresente e onisciente. Repare que este não é um tique exclusivo do Sheldon, mas também de praticamente todos os outros best-sellers por aí desde até Dan Brown;
8 - Final feliz!!!!!!! Nunca se esqueça de incluir um desfecho que a maioria das pessoas vá gostar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Resumo do Livro: "Os Segredos da Mente Milionária", de T. Harv Eker. Editora Sextante.
"Tudo o que alguém classificar como obstáculo, reclassifique como oportunidade." Harv Eker 1,2 milhão de exemplares vendidos. E ta...
-
Caso escolhêssemos, por exemplo, exclusivamente a concepção empirista para ensinar os alunos, creio que correríamos o risco de desencadear u...
-
O método cartesiano pode ser facilmente atrelado à prática de ensino, apesar de não ter sido criado com este propósito. Descartes queria ape...
-
Nos dias de hoje, praticamente no mundo todo, mesmo que de maneira informal, a maioria dos adultos incentiva as crianças a serem pessoas de ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário