Contestando mais uma das teorias gislescas sem cabimento, turvamente afirmo que o uso de artifícios engentaiosos nos clipes pode caracterizá-lo não apenas de um modo negativo, mas totalmente o oposto, e até mesmo acrescendo-lhe certas qualidades que objetos de cena, uma bela edição ou mesmo uma boa direção de arte não podem alcançar.
Em outras palavras, ter uma quantidade acima da média de pessoas na frente da câmera nem sempre é sinal de insossibilidade (muito menos de insociabilidade), nem mesmo de um clipizim chinfrim, como tenho afirmado nos últimos tempos.
Quando bem aplicado esse recurso pode fazer muitíssimo bem à narrativa cliposa, tornando-a mais viva e, por que não, mais (argh!) humana...
Bem, é sobre clipes assim que vamos tratar, chega aí.
Em outras palavras, ter uma quantidade acima da média de pessoas na frente da câmera nem sempre é sinal de insossibilidade (muito menos de insociabilidade), nem mesmo de um clipizim chinfrim, como tenho afirmado nos últimos tempos.
Quando bem aplicado esse recurso pode fazer muitíssimo bem à narrativa cliposa, tornando-a mais viva e, por que não, mais (argh!) humana...
Bem, é sobre clipes assim que vamos tratar, chega aí.
» "Tango", do Dead Fish - João Flores e George Queiróz: Taí um clipe que deu um nó na minha cabecinha embaraçada. Na primeira vez que o vi, detestei com todas as minhas fraquezas e amaldiçoei até a nonagésima geração dos diretores dele. Já na segunda vez, que diferença!
De todos os clipes avermelhados, este tem o tom escarlate mais escarlate, mais intenso, mais... kerslakiano. Uma beleza de clipe bem fotografado e bem dirigido, com plot "sem plot", sobre o nada que é tudo, sobre a poesia existente até mesmo nas profundezas estomacais da mais medíocre alma humana. Não se desvaloriza, muito menos se ridiculariza personagens bukowskianos como o travesti tristonho, ou a menina bifronte, ou a freira aloprada...
Aliás, uma gama imensa de personagens femininas bem delineadas, onde se encontram traços até mesmo do grande, do fabuloso, do segundo maior ficcionista do século XX: Somerset Maugham (sendo que o primeiro da lista é, evidentemente, o saborosíssimo Vladimir Nabokov, minha maior inspiração, minha perdição e redenção, minha demolição e construção...).
Voltando ao clipe, tudo isso vem hiperembalado numa música bem Dead Fish, bem parecida com a bela "Noite", semihit anterior. Enfim, um clipe que jamais me cansei de ver.
De todos os clipes avermelhados, este tem o tom escarlate mais escarlate, mais intenso, mais... kerslakiano. Uma beleza de clipe bem fotografado e bem dirigido, com plot "sem plot", sobre o nada que é tudo, sobre a poesia existente até mesmo nas profundezas estomacais da mais medíocre alma humana. Não se desvaloriza, muito menos se ridiculariza personagens bukowskianos como o travesti tristonho, ou a menina bifronte, ou a freira aloprada...
Aliás, uma gama imensa de personagens femininas bem delineadas, onde se encontram traços até mesmo do grande, do fabuloso, do segundo maior ficcionista do século XX: Somerset Maugham (sendo que o primeiro da lista é, evidentemente, o saborosíssimo Vladimir Nabokov, minha maior inspiração, minha perdição e redenção, minha demolição e construção...).
Voltando ao clipe, tudo isso vem hiperembalado numa música bem Dead Fish, bem parecida com a bela "Noite", semihit anterior. Enfim, um clipe que jamais me cansei de ver.
» "Till I Hear It From You", dos Gin Blossoms - Dir.: David Cameron: Esse é o ápice da antropofilia cliposa, para o bem e para o mal. Analisemos, pois: No clipe inteiro não tem nenhuma mísera cena na qual não apareça sequer um ser humano na tela, nenhuma exceto no final, onde temos um plano geral do tal "Empire Records" (sim, esta música faz parte da trilha do lixofilme epônimo), a locação principal onde se passa o filme. Em TODOS os outros takes, o que se vê é um idiota aqui, outro ali, enfim, num emaranhado engentaioso que dá nos nervos.
Mas, calma, a ruindade deste clipe termina aí, pois de resto, ele é totalmente "visível" e revisível (glup), e isso por conta do modo original como ele foi editado. Sim, não se usa cortes para passar de uma seqüência a outra (a não ser nas cenas do próprio filme, que são mescladas às da banda para complementar a idéia do clipe), mas sim uma colagem dos takes, formando um grande travelling que vai em sentido horário (para não contrariar ninguém).
Do cenário, creio que não precise dizer mais nada. Apesar de ser ele branco, simples, o menos-mais, aquela coisa toda, que já foi utilizado milhões de vezes em outros videoclipes (geralmente por bandas que precisavam economizar num clipe por terem se excedido nos gastos com o anterior), preciso salientar que se aqui ele funciona bem até demais.
Nunca vi um clipe com tanta personalidade própria e com essas características juntas (cenário branco, trilha de filme, multidões ?mbrando que considero acima de dois uma multidão), e jamais teria imaginado que algo assim fosse realmente uma possibilidade, pois isso sempre me pareceu uma grande, imensa, gigantesca contradição. Isso me deixou muito intrigada, o que me levou a analisar mais a fundo esse fenômeno tão estranho. Claro que isso me trouxe uma conclusão que me fez, novamente, ficar com os braços torcidos.
Por menos que eu goste, tenho que explicitar minha descoberta: a de que são, sim, as pessoas (!!!!!!!) que dão o tom certo a esse clipe!!!!!!!!!!!!! São elas que fazem dele um pedaço de fita bem bacana de ser visto e revisto; são elas que se emprestam e às suas vidas para dar vida a esta narração imagemológica. Se bem que aquela cadeira vermelha descolada também ajudou bastante.
Mas, calma, a ruindade deste clipe termina aí, pois de resto, ele é totalmente "visível" e revisível (glup), e isso por conta do modo original como ele foi editado. Sim, não se usa cortes para passar de uma seqüência a outra (a não ser nas cenas do próprio filme, que são mescladas às da banda para complementar a idéia do clipe), mas sim uma colagem dos takes, formando um grande travelling que vai em sentido horário (para não contrariar ninguém).
Do cenário, creio que não precise dizer mais nada. Apesar de ser ele branco, simples, o menos-mais, aquela coisa toda, que já foi utilizado milhões de vezes em outros videoclipes (geralmente por bandas que precisavam economizar num clipe por terem se excedido nos gastos com o anterior), preciso salientar que se aqui ele funciona bem até demais.
Nunca vi um clipe com tanta personalidade própria e com essas características juntas (cenário branco, trilha de filme, multidões ?mbrando que considero acima de dois uma multidão), e jamais teria imaginado que algo assim fosse realmente uma possibilidade, pois isso sempre me pareceu uma grande, imensa, gigantesca contradição. Isso me deixou muito intrigada, o que me levou a analisar mais a fundo esse fenômeno tão estranho. Claro que isso me trouxe uma conclusão que me fez, novamente, ficar com os braços torcidos.
Por menos que eu goste, tenho que explicitar minha descoberta: a de que são, sim, as pessoas (!!!!!!!) que dão o tom certo a esse clipe!!!!!!!!!!!!! São elas que fazem dele um pedaço de fita bem bacana de ser visto e revisto; são elas que se emprestam e às suas vidas para dar vida a esta narração imagemológica. Se bem que aquela cadeira vermelha descolada também ajudou bastante.
» "I Need Direction", do Teenage Fanclub: Um bando de crianças bestas vagabundeando pelas ruas, arrumando encrenca com os mais miúdos e sendo tão bobos quanto suas idades o permitem. Pois bem, taí a receita para um clipe dos mais esquecíveis e irritaaaaaaaantes. Mas não com o Teenage.
Eu sei quando estou ficando previsível, mas a questão aqui não é esta. Um clipe sem plot, com imagens que não remetem a porcaria nenhuma a não ser a história do ciclo de uma bola de plástico cuja "vida" parece ter sentido apenas quando está servindo às crianças, poderia ser mais bonito e singelo, poderia? Não, não poderia, e tudo por causa da fabulosa luz, que ficou tão natural (mesmo não sendo) que parece "dogmática".
Isso sem mencionar o fato de que parece mais um documentário do que um clipe "normal", porque mesmo sem câmera na mão e uns patetas olhando fixamente para a câmera, o senso de realidade está todo ali. Nada aqui é gratuito, ou descartável, ou irreal, é tudo verdadeiro, mesmo sem ser. Não sei de mais nada.
» "Bittersweet Me", do REM - Dir.: Dominic Deioseph: Recuso-me a falar desse clipe. (pausa, gritos, pausa).
Eu sei quando estou ficando previsível, mas a questão aqui não é esta. Um clipe sem plot, com imagens que não remetem a porcaria nenhuma a não ser a história do ciclo de uma bola de plástico cuja "vida" parece ter sentido apenas quando está servindo às crianças, poderia ser mais bonito e singelo, poderia? Não, não poderia, e tudo por causa da fabulosa luz, que ficou tão natural (mesmo não sendo) que parece "dogmática".
Isso sem mencionar o fato de que parece mais um documentário do que um clipe "normal", porque mesmo sem câmera na mão e uns patetas olhando fixamente para a câmera, o senso de realidade está todo ali. Nada aqui é gratuito, ou descartável, ou irreal, é tudo verdadeiro, mesmo sem ser. Não sei de mais nada.
» "Bittersweet Me", do REM - Dir.: Dominic Deioseph: Recuso-me a falar desse clipe. (pausa, gritos, pausa).
Certo, já me controlei, bem a tempo de dizer que esse tem um sensacionalesco motivo para que eu não queira falar dele. É magnífico demais, demais!!! O meu embasbacamento é justificado e posso provar. Tem a onipresente máquina de escrever "confessions to themselves". Tem o Stipe em performance inspiradíssima (aliás, a banda toda, se bem que ele está mais) e estilosíssima. Esse cara realmente tem estilo, e não é de agora, mas é nesse clipe que temos o ápice. Acho até que aqui ele está melhor do que em "Animal", que considero o semi-ápice.
Enfim, o clipe não tem só o Stipe, tem também o plot, que apesar de não ser dotado de muita originalidade, narra estorinha à "Primo Basílio" de um jeito único, simples e direto. Ah, o mais importante: a sutileza, a grande marca desse clipe, que também está impregnada na protagonista - que me lembra a Audrey Hepburn, por causa da magreza clássica... e invejável. Grr... Enfim, é difícil falar dele, é meu favorito, o que mais vezes vi e do qual jamais me canso.
Enfim, o clipe não tem só o Stipe, tem também o plot, que apesar de não ser dotado de muita originalidade, narra estorinha à "Primo Basílio" de um jeito único, simples e direto. Ah, o mais importante: a sutileza, a grande marca desse clipe, que também está impregnada na protagonista - que me lembra a Audrey Hepburn, por causa da magreza clássica... e invejável. Grr... Enfim, é difícil falar dele, é meu favorito, o que mais vezes vi e do qual jamais me canso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário