» Aceitemos: o deliciosamente assustador seriado "Night Visions" - minha décima série favorita** ?o passa de um plágio de outro seriado megasuprado, que deu origem a todos os outros do cinema fantástico: "Além da Imaginação". Mas até que é desculpável, pois se trata de uma série e tanto, muito bem produzida e com brilho próprio. Não é como a horrorosa "O Clube do Terror" (Are You Afraid of the Dark?). Aquilo sim é lixeba de octogentésima categoria, por conter mais clichês do que um humano médio é capaz de expelir por dia.
» A excelente "3rd Rock From The Sun" (de Bob & Ted Turner) é uma das MELHORES, MAIS ENGRAÇADAS e MAIS CONTAGIANTES séries que já existiu! Sim, e digo isso porque essa ganha até de seriados de comédia fantásticos como "Everybody Loves Raymond" e "Will & Grace". A idéia aparentemente banal (a série é sobre um grupo de alienígenas que chega a nosso planeta disfarçados de humanos a fim de estudar o comportamento dos terráqueos), até mesmo boba, mas é hilariante. E tem diálogos impecáveis, a constar. Como eu disse, é A MELHOR! Mas, tem um probleminha que não chega nem a ser um problema (daí o dispensável "inha"): foi descaradamente baseada em "Alf, o Eteimoso" (isso sem mencionar "O Extraterrestre", do Spielberg, pois não estamos falando de filmes, mas de seriados). Mas, não faz mal, porque esta era outra série dotada de diálogos muito bem escritos.
» Vemos o mesmo fenômeno na fantástica série "Alias - Codinome: Perigo". Sobre uma universitária aparentemente comum (interpretada pela simpaticíssima Jennifer Garner) chamada Sidney Bristow que é escolhida (aparentemente, de forma aleatória, o que mais tarde se mostra uma inverdade) para integrar o misterioso grupo SD6, uma organização secreta que ela supunha ser uma divisão da CIA. Ela hesita, mas por motivos financeiros acaba aceitando o emprego. Passa por um difícil treinamento e por provas ainda mais difíceis e consegue a aprovação de seus superiores. Passa a realizar missões perigosas, como, por exemplo, roubar dados e informações confidenciais, militares e científicas. Ao ficar noiva de Danny ela conta que, ao contrário do que o tinha feito pensar durante os longos seis anos desde que se conheciam, não trabalhava num banco, mas nessa tal organização secreta. Quando os membros da SD descobrem que ela contou a ele (através de um grampo no telefone dela), decidem matá-lo, pois o consideram um perigo direto a organização. A partir daí, ela decide se vingar: vai até a Central de Inteligência Americana e se pede ajuda para destruir a SD6. Tudo isso acontece logo no primeiro episódio. E os seguintes eram, invariavelmente, uma bomba atrás da outra. Quem se prontificasse a assistir essa preciosidade deveria usar um capacete e ter um cinto de segurança de qualidade acoplado a poltrona, pois a cada momento o espectador era brindado com surpreendentes segredos do passado da protagonista. Outra atração à parte são as questões familiares, especialmente as da conturbada relação pai-filha. Várias verdades sobre a morte de sua mãe vão sendo cuspidas na cara da emocional Sidney, e o mais impressionante de tudo: sem decair para a pieguice. E tudo isso era feito de forma mais que plausível, de modo que não podíamos desgrudar da frente da teve. Plausível em todos os aspectos, especialmente porque seria difícil acreditar numa história tão pouco provável, nas reviravoltas e no jeito como ela sempre driblava a morte, mas o roteiro de cada episódio era tão bem costurado que não deixava fendas para uma possível e, nesse caso, até desculpável falha. Só que as falhas simplesmente não existiam. Mesmo driblando a morte a todo minuto, a protagonista nos fazia acreditar que coisas impossíveis eram possíveis, nos provando isso. Nem dá para acreditar que essa série surpreendente, de uma engenhosidade brilhante, tem precedentes irreconhecíveis em... "The Web". Sim, nesta redinha tentou-se fazer algo arrebatador e chacoalhante, mas não conseguiram. Conclui-se com isso que boas idéias podem ser muito mal aproveitadas nas mãos de pessoas erradas (caso de "A Rede") ou pode acontecer exatamente o oposto disso, como é o caso de "Alias".
» Nesta mesma linhagem de seriados de agentes secretas temos o horrorosérrimo "As Espiãs", plágio malfeito de outra caquinha ainda mais malfeita: "As Panteras". Geralmente o original é infinitamente superior às versões, mas não neste caso. Contrariando as leis da impossibilidade (!), a série original dos anos 70 é ainda mais horrorenta do que esta versão dos anos 00, pois peca num milhão de detalhes, ao contrário de sua antepassada. A originalidade passou longe e correndo dessas lixebas não-assumidas, mas ao menos "As Espiãs" tem itens que sempre faltaram à sua avó: uma direção mais competente; atrizes que interpretam razoavelmente seus papéis; roteiro à moda de "Hollywood is here" e outros detalhes insignificantes, mas não tanto quanto ela própria. É um bom exemplo da idéia de que, não importa o quanto ruim está, sempre é possível piorar, tal qual sua versão masculina, a chata "Fastlane - Vivendo no Limite".
» Mais exemplos de seriados ruins... Bom, neste caso temos um seriado péssimo (nem deveria ser chamado de seriado, a constar) que deu origem a um mediano. "Amor Fraternal", série bestalóide (besta e sentimentalóide) sobre uns irmãos bobos sem pai que tentam fazer dar certo suas vidinhas nojosas. E o pior: da forma mais clichezenta possível. Eca! Sim, nem dá para acreditar que essa nojeira inspirou "O Quinteto" (Part of Five). Série dramática com tom adulto, mas para adolescentes com mania de grandeza. Calma, tô só brincando. Essa era bem produzida, bem dirigida e bem escrita. Não chegava a matar de chorar, mas também não matava de rir, afinal, era um drama. A mesma temática da patetícula "Amor Fraternal" está aí, na história dos cinco protagonistas, irmãos órfãos de pai e mãe que tentam reconstruir suas vidas e meio ao caos da adolescência e entrada na difícil fase adulta. Eis aí um interessante exemplo do porque é preciso muito adubo para se plantar lindas rosas.
» Admita, "O.C. - Um Estranho no Paraíso" nada mais é do que uma versão mista e bem sucedida de "As Patricinhas de Beverly Hills" com "Dawson’s Creek". Sim, ela poderia ser apenas mais uma das 245.976.553.426 outras teenseries hiperclichezentas e insuportavelmente americanizadas que pipocam de hora em hora, mas felizmente não é esse o caso. Foi concebida como tal, mas nasceu com algo mais. À primeira vista pode parecer que os personagens não passam de um bando de adolescentes bonitinhos e cabeça-oca, com pais ricos nojentíssimos que não tem outra preocupação na vida a não ser manter seus casamentos por conveniência e freqüentar festas chatas com o único intuito de exibir suas novas aquisições roupísticas. Mas, à segunda vista, não é nada disso. É verdade que só assistia essa série por conta da trilha sonora, ponto mais forte de todos os pontos fortes a serem considerados, mas não foi só por isso que continuei. Os diálogos são poderosos, bem-feitos, (especialmente os do Seth Cohen) não um monte de baboseiras como acontece com suas predecessoras. "O.C." sustenta a mesma superficialidade que ronda os personagens de "As Patricinhas de Beverly Hills" com o espírito adolescente de "Dawson’s Creek", que por sinal era um pé-no-saco, e ainda assim consegue ser superior a elas. Sim, mesmo sendo basicamente a mesma coisa (historinhas ridículas de teens ricos americanos), assim como a maioria das pérolas da desgraceira, a série de Josh Schwartz atinge um grau de qualidade espantoso e é deliciosa de se comer com olhos e ouvidos. Como você viu, "O.C." tem muitas similaridades com as séries já citadas, mas não tanto quanto tem em comum com (pode rir) "Um Maluco no Pedaço"!
» O que veio primeiro: "Bom Dia, Bonnie" ou "Bom Dia, Miami"? Não importa, dá na mesma, pois ambas me levam a ter espasmos de tão intragáveis que são. Elas são perigosamente clichezentas e, apesar do tom de comédia, não me fariam rir nem que eu tivesse um bilhete de loteria premiado. O primeiro narra a rotina de Bonnie, a âncora patetona de um jornaleco muito dos mal-feitos. Lixo do lixo do lixo! Já em "Bom Dia, Miami", alguns diálogos (pouquíssimos, nem vale o sacrifício) tem umas tiradas ácidas muito boas, mas a quantidade de chorume é tão intensa quanto a de sua irmã-siamesa. A série se passa numa redação telejornalística onde um bando de funcionários destreinados que parecem estar sempre brigados com seus cérebros lutam diariamente para arranjar pauta para o jornal. E ainda tem um rio de insuportabilíssimos clichês tão grande, gosmento e sujo que mais se assemelha a uma fedorentosa fossa a céu aberto. Não se sabe se uma foi bem ou mal copiada da outra.
» Mais uma série maravilhosa derivada de outras medianas é a esplêndida "C.S.I. (CRIME SCENE INVESTIGATION)", policial excelente, bem no estilo "Nova York Contra O Crime". Nada de novo?
Pense melhor. Ela é audaciosamente bem produzida, conta com um roteiro mais que excelente, apesar dos esporádicos clichês (totalmente desculpáveis, neste caso) e ótimas atuações. Já sua irmã mais velha e já falecida, "NYCC", apenas faz o que outras séries policiais já tinham feito: enfocava apenas a rotina de policiais bonzinhos e justiceiros na Big Apple, ou seja, nada de original. Na verdade, seria exagero e até uma inverdade afirmar que C.S.I. foi inspirada em "Nova York Contra O Crime", porque elas nada têm em comum e inclusive, não deveriam constar nesta listinha de plágios.
» E, já que estamos falando em policiais, outra que merece constar aqui é a grudenta "Without a Trace" (Desaparecidos). Grudenta porque ela realmente gruda em você (ou você se gruda nela), tornando impossível dormir depois de assistir a um de seus episódios, mesmo que você assista de madrugada. Quer dizer, ela nem é tuuuuuuuudo isso, mas a série de Hank Steinberg é, por enquanto, a mais legal dos anos 00 (depois de CSI). Também, abarrotada de boas interpretações, roteiro bem amarrado, histórias interessantes e 99% cliché free, que é uma atração à parte e sempre motivo de satisfação. E em qual ela foi baseada? Hmm, sem pensar muito eu diria "Dragnet", policial diferenciada e que segue uma linha confessionária, quase como um documentário. Assistir a um episódio de "Dragnet" é como ler o diário do protagonista, o que é sempre uma boa pedida. Mas, apesar de ambas serem investigativas, seguem subâmbitos quase contrários - pessoas desaparecidas X crimes diversos, portanto, ninguém se baseou em ninguém aqui.
» Temos aqui um caso em que o "plágio" superou (e como!) o original. Veja só: A excelente "Parceiros da Vida" nada mais é do que uma espécie de plágio disfarçado da mediana "Plantão Médico". Não estou afirmando isso pelo motivo óbvio - ou seja, não porque ambas tratam de questão médica, mas porque são realmente muito parecidas em outros aspectos. Mesmo sendo Parceiros da Vida uma salada que foca a rotina de policiais, bombeiros e paramédicos, tem o mesmo ritmo ágil e "hospitalar" (no bom sentido) de "E.R.". E o mais espantoso é que "Parceiros da Vida" só ganhou vida própria (para mim) quando passou a ser filmada no estilo "West Wing"... Eu explico: o tal estilo de "West Wing" (com deliciosos planos seqüenciados e muito uso de travelling) fica muito bem em... "West Wing", mas também caiu como uma luva em Third Watch. E isso porque nem "só" de um bom roteiro e boas atuações vive um seriado bacana.
» E o que dizer de "Everwood - Uma Segunda Chance"? Apesar de bem zerada*, esta nada traz de novo, as histórias acontecem em meio a um poço de clichês sem fundo. E, mesmo que pareça um xingamento, devo dizer que foi baseada (não ria) em "Três é demais". Mesmo que não seja lá essas coisas, "Everwood" não é tão ruim assim, apenas é clichezenta como sua ancestre; tem um pai viúvo cuidando sozinha e corajosamente dos filhos, tal qual a lixebenta "Full House"; tem tom de comédia, mas é mais desprovida de graça do que eu, enfim, é idêntica! Só não tem mesmo dois irmãos idiotas se intrometendo toda hora. Outra diferença é que "Everwood" não é tão apavorante assim e, embora não literalmente, é uma droga. E que fique registrado que é do pior tipo, porque não dá barato.
» Fracasso chama mais fracasso e aprendi isso da pior forma. Parece-me que o oposto também acontece de vez em quando. Tô falando da deliciosa série animada "Family Guy". É evidente que sua criação foi fundamentada em outra família incorretíssima da tv, a mãezona das animações bacanas, "Os Simpsons". Outras já haviam tentado, sem muito sucesso (como é o caso de "O Rei do Pedaço", que era adulta e, não por isso, bem sem graça), mas essa sim! Depois de "Simpsons", "Futurama", "South Park", "Mission Hill" e "Os Oblongs", essa é a melhor série animada que já existiu. Nunca vi nada igual em matéria de divertimento. O destaque, é claro, fica para o bebê da família, que tem um Q. I. algo altíssimo e sempre faz coisas inacreditáveis. Excelência em grau avançado, dá para ser?!
» Outra animação sensacional que se baseou na família n° 1 da América foi outra família americana, "Os Oblongs". Ácido, direto e as piadas mais engraçadas desde "Mission Hill". É simpsoniano até não poder mais, todos os elementos essenciais estão lá: alocuções e personagens politicamente incorretos, alusões à cultura pop em geral e episódios recheados de tiradas espertíssimas como, por exemplo: "Um cachorro sempre volta ao vômito", cuspidas por um de seus personagens feiosos que comem cabelo. Outra peculiaridade desta divertidíssima animação é, sem dúvida, a aparência das personagens: todas são horrorosas, deformadas e arquiesquisitas, frutos da bomba de Hiroshima, isso sem mencionar o fato de que quase todas ainda carregam personalidades tão ou mais dignas de piedade. A série é hiper-ótima, malacafenta e genial. Ah, e de plágio não tem nada.
» Dentre as piores séries de bruxas, "Jovens Bruxas" ocupa o posto de pior das piores! E não é antipatia com o gênero, não, porque até mesmo sua amiguinha adolescente "Sabrina, Aprendiz de Feiticeira", é menos horrenda do que essa porcaria. Um poço infinito de clichês, um inegável falta de tudo e desmedida ausência de senso de ridículo. É quase uma Kennan & Kell da vida!
» Se tem uma coisa pior do que narrar o bestalóide cotidiano de adolescentes nojosos é contar a história de adultos patéticos. "Jack & Jill" sonhava em ser uma "Friends" da vida, mas só conseguia ser uma seriezinha insossa com personagens estúpidos à moda de "Sex and The City" e atores nada carismáticos. De sua prima mais tragável, só conseguiu mesmo o tema. Lamentável.
» Eu não assistia "24 Horas" porque pensava que não passava de uma imitação descarada e mal produzida da excelente "MacGyver - Profissão Perigo", afinal, o que é Jack Bauer se não um Macgyver mal recauchutado? Já a série, é imbatível, difícil dizer qual das duas é melhor.
» Outra que imita e admite é "Um Tira da Pesada", que nada mais é do que uma "Magnum" melhorada e com um protagonista menos antipático.
» A missão de um homem só: investigar fenômenos ditos sobrenaturais e, na maioria dos casos, colocando sua vida em risco para fazê-lo. De que série estou falando? Poderia ser tanto de "Millenium" quanto de "Milagres entre o Céu e o Inferno" não fosse uma peculiaridade que diferencia esta última: a religiosidade. Sim, enquanto o agente Frank Black da série do Carter investiga crimes, em "Milagres" o padre Quevedo-cover que a protagoniza quer saber sobre assuntos de cunho parapsicológicos, mas não exatamente extraterrestres nem ligados a crimes. Pois sim, a ótima "Millenium" serviu de base para "Milagres", que é ultramagnética e ainda por cima tem um protagonista que é uma graça, um incentivo a mais para assistir.
» "Eu, a Patroa e as Crianças" não passa de uma zarabatana envenenada de clichês. Assistir a esta podreira é uma experiência infinitamente aquém da mais baixa expectativa que até o menos cético dos seres possa criar. E, entre todas as séries familiares, é a terceira pior. A primeira, "Três é Demais"; e o segundo lugar vai para... "O Jim é Assim", que por sinal, serviu de alicerce para essa porcaria aí.
» Não consigo gostar de "O Mundo Perdido" e não consigo também tirar da cabeça que essa série só pode ter sido um fruto malsucedido de "Caverna do Dragão". Não que eu não gostasse de histórias de jovens perdidos.
» "Odd Man Out" (exibido no Brasil sob o título de "O Homem da Casa") planejava ser uma espécie de versão masculina de "Blossom" e nem isso conseguiu. E o pior de tudo é que nem sei qual das duas é a pior. Se em "Blossom" é uma garota que mora com o pai e os irmãos, "Odd Man Out" é sobre um adolescente que mora com sua mãe e suas inúmeras irmãs, além de sua tia que, apesar de não morar na mesma casa, sempre dá as caras por lá. A típica série familiar sem graça com tom de comédia que não passa de um emaranhado de besteiras. E, como se já não bastasse, tem ainda os vários problemas existenciais da adolescência, esta fase tão dura e sem sentido. O horror, o horror!
» "Malcolm in the Middle" pode até parecer mais um daqueles seriadinhos familiares ruins de doer, mas não se deixe enganar. O ato de arrancar originalidade de um tema aparentemente banal, que eu julgava já estar, há muito, defasado, foi uma das quinhentas mil qualidades que primeiro me chamaram a atenção nessa série. Isso sem mencionar as atuações, irrepreensíveis; o roteiro, maluquésimo, no melhor dos sentidos; a fotografia, coloridíssima, superarrojada e que orna plausivelmente com o tema; a simpatia dos personagens, até mesmo da mãe das quatro pestes mais pestes que já existiram. Tudo nessa fantástica série era maravilhoso, e o mais estranho de tudo é que, no fundo, ela abre espaço para outra não tão divertida: "Oliver Beene"...
» Ora, ora, quem diria que uma série tão bem bolada quanto "West Wing - Nos Bastidores do Poder" teria sido influenciada por... "Spin City"! À primeira vista pode parecer que estou delirando, pois além da temática, elas parecem não ter nada a ver uma com a outra. Mas é correto dizer que West Wing" tem uma visão mais "adulta" do poder, e mostra isso em forma de drama, enquanto Spin City é uma comédia screwball sem maiores pretensões.
» Por fim, temos "Witchblade - A Guerreira Imortal", conto de bruxas por si só difícil de levar. O tema é inacreditável (de forma negativa e no pior dos sentidos) e, por isso, pega pesado nos clichês. Os chavões começam atacando o roteiro, que não tem nenhum diálogo interessante; passa a virose para os atores, um pior do que o outro e termina atacando os fracos personagens. Tem a policial durona, seu parceiro homófobo; o amigo hacker esperto e todo esse blablablá... Atuações exageradas, com direito a gemidos pleonásticos, excesso de gritos de morte escandalosos e mais uma infinidade de outros trejeitos insuportavelmente insuportáveis. Verdadeiramente, um lixo. Mas, há um fator salvador: o chamado estilo videoclípico. Sim, os cortes ligeiros, bem à Guy Ritchie, são algo a se considerar. Se bem que eu não concordo muito com essa infeliz expressão "estilo videoclíptico", pois o videoclipe não tem um estilo único, é muito abrangente. Se antes havia essa idéia (e realmente havia), deveria ter sido esquecida em algum canto do passado noventista, junto com o Vanille Ice e a dupla-infanto-besta-rapper-falsa-do-início-dos-anos-noventa Kriss Kross, mas isso já é outra história. E tudo isso só foi possível graças a outra seriezinha não muito bacana, porém superior a essa lixebinha: "Xena - A Princesa Guerreira".
* Zerada: estilo anos 00’, isto é, fotografia impecável, boas atuações e diálogos quase hollywoodianos,mas com criatividade e senso de humor apurado.
» E, já que estamos falando em policiais, outra que merece constar aqui é a grudenta "Without a Trace" (Desaparecidos). Grudenta porque ela realmente gruda em você (ou você se gruda nela), tornando impossível dormir depois de assistir a um de seus episódios, mesmo que você assista de madrugada. Quer dizer, ela nem é tuuuuuuuudo isso, mas a série de Hank Steinberg é, por enquanto, a mais legal dos anos 00 (depois de CSI). Também, abarrotada de boas interpretações, roteiro bem amarrado, histórias interessantes e 99% cliché free, que é uma atração à parte e sempre motivo de satisfação. E em qual ela foi baseada? Hmm, sem pensar muito eu diria "Dragnet", policial diferenciada e que segue uma linha confessionária, quase como um documentário. Assistir a um episódio de "Dragnet" é como ler o diário do protagonista, o que é sempre uma boa pedida. Mas, apesar de ambas serem investigativas, seguem subâmbitos quase contrários - pessoas desaparecidas X crimes diversos, portanto, ninguém se baseou em ninguém aqui.
» Temos aqui um caso em que o "plágio" superou (e como!) o original. Veja só: A excelente "Parceiros da Vida" nada mais é do que uma espécie de plágio disfarçado da mediana "Plantão Médico". Não estou afirmando isso pelo motivo óbvio - ou seja, não porque ambas tratam de questão médica, mas porque são realmente muito parecidas em outros aspectos. Mesmo sendo Parceiros da Vida uma salada que foca a rotina de policiais, bombeiros e paramédicos, tem o mesmo ritmo ágil e "hospitalar" (no bom sentido) de "E.R.". E o mais espantoso é que "Parceiros da Vida" só ganhou vida própria (para mim) quando passou a ser filmada no estilo "West Wing"... Eu explico: o tal estilo de "West Wing" (com deliciosos planos seqüenciados e muito uso de travelling) fica muito bem em... "West Wing", mas também caiu como uma luva em Third Watch. E isso porque nem "só" de um bom roteiro e boas atuações vive um seriado bacana.
» E o que dizer de "Everwood - Uma Segunda Chance"? Apesar de bem zerada*, esta nada traz de novo, as histórias acontecem em meio a um poço de clichês sem fundo. E, mesmo que pareça um xingamento, devo dizer que foi baseada (não ria) em "Três é demais". Mesmo que não seja lá essas coisas, "Everwood" não é tão ruim assim, apenas é clichezenta como sua ancestre; tem um pai viúvo cuidando sozinha e corajosamente dos filhos, tal qual a lixebenta "Full House"; tem tom de comédia, mas é mais desprovida de graça do que eu, enfim, é idêntica! Só não tem mesmo dois irmãos idiotas se intrometendo toda hora. Outra diferença é que "Everwood" não é tão apavorante assim e, embora não literalmente, é uma droga. E que fique registrado que é do pior tipo, porque não dá barato.
» Fracasso chama mais fracasso e aprendi isso da pior forma. Parece-me que o oposto também acontece de vez em quando. Tô falando da deliciosa série animada "Family Guy". É evidente que sua criação foi fundamentada em outra família incorretíssima da tv, a mãezona das animações bacanas, "Os Simpsons". Outras já haviam tentado, sem muito sucesso (como é o caso de "O Rei do Pedaço", que era adulta e, não por isso, bem sem graça), mas essa sim! Depois de "Simpsons", "Futurama", "South Park", "Mission Hill" e "Os Oblongs", essa é a melhor série animada que já existiu. Nunca vi nada igual em matéria de divertimento. O destaque, é claro, fica para o bebê da família, que tem um Q. I. algo altíssimo e sempre faz coisas inacreditáveis. Excelência em grau avançado, dá para ser?!
» Outra animação sensacional que se baseou na família n° 1 da América foi outra família americana, "Os Oblongs". Ácido, direto e as piadas mais engraçadas desde "Mission Hill". É simpsoniano até não poder mais, todos os elementos essenciais estão lá: alocuções e personagens politicamente incorretos, alusões à cultura pop em geral e episódios recheados de tiradas espertíssimas como, por exemplo: "Um cachorro sempre volta ao vômito", cuspidas por um de seus personagens feiosos que comem cabelo. Outra peculiaridade desta divertidíssima animação é, sem dúvida, a aparência das personagens: todas são horrorosas, deformadas e arquiesquisitas, frutos da bomba de Hiroshima, isso sem mencionar o fato de que quase todas ainda carregam personalidades tão ou mais dignas de piedade. A série é hiper-ótima, malacafenta e genial. Ah, e de plágio não tem nada.
» Dentre as piores séries de bruxas, "Jovens Bruxas" ocupa o posto de pior das piores! E não é antipatia com o gênero, não, porque até mesmo sua amiguinha adolescente "Sabrina, Aprendiz de Feiticeira", é menos horrenda do que essa porcaria. Um poço infinito de clichês, um inegável falta de tudo e desmedida ausência de senso de ridículo. É quase uma Kennan & Kell da vida!
» Se tem uma coisa pior do que narrar o bestalóide cotidiano de adolescentes nojosos é contar a história de adultos patéticos. "Jack & Jill" sonhava em ser uma "Friends" da vida, mas só conseguia ser uma seriezinha insossa com personagens estúpidos à moda de "Sex and The City" e atores nada carismáticos. De sua prima mais tragável, só conseguiu mesmo o tema. Lamentável.
» Eu não assistia "24 Horas" porque pensava que não passava de uma imitação descarada e mal produzida da excelente "MacGyver - Profissão Perigo", afinal, o que é Jack Bauer se não um Macgyver mal recauchutado? Já a série, é imbatível, difícil dizer qual das duas é melhor.
» Outra que imita e admite é "Um Tira da Pesada", que nada mais é do que uma "Magnum" melhorada e com um protagonista menos antipático.
» A missão de um homem só: investigar fenômenos ditos sobrenaturais e, na maioria dos casos, colocando sua vida em risco para fazê-lo. De que série estou falando? Poderia ser tanto de "Millenium" quanto de "Milagres entre o Céu e o Inferno" não fosse uma peculiaridade que diferencia esta última: a religiosidade. Sim, enquanto o agente Frank Black da série do Carter investiga crimes, em "Milagres" o padre Quevedo-cover que a protagoniza quer saber sobre assuntos de cunho parapsicológicos, mas não exatamente extraterrestres nem ligados a crimes. Pois sim, a ótima "Millenium" serviu de base para "Milagres", que é ultramagnética e ainda por cima tem um protagonista que é uma graça, um incentivo a mais para assistir.
» "Eu, a Patroa e as Crianças" não passa de uma zarabatana envenenada de clichês. Assistir a esta podreira é uma experiência infinitamente aquém da mais baixa expectativa que até o menos cético dos seres possa criar. E, entre todas as séries familiares, é a terceira pior. A primeira, "Três é Demais"; e o segundo lugar vai para... "O Jim é Assim", que por sinal, serviu de alicerce para essa porcaria aí.
» Não consigo gostar de "O Mundo Perdido" e não consigo também tirar da cabeça que essa série só pode ter sido um fruto malsucedido de "Caverna do Dragão". Não que eu não gostasse de histórias de jovens perdidos.
» "Odd Man Out" (exibido no Brasil sob o título de "O Homem da Casa") planejava ser uma espécie de versão masculina de "Blossom" e nem isso conseguiu. E o pior de tudo é que nem sei qual das duas é a pior. Se em "Blossom" é uma garota que mora com o pai e os irmãos, "Odd Man Out" é sobre um adolescente que mora com sua mãe e suas inúmeras irmãs, além de sua tia que, apesar de não morar na mesma casa, sempre dá as caras por lá. A típica série familiar sem graça com tom de comédia que não passa de um emaranhado de besteiras. E, como se já não bastasse, tem ainda os vários problemas existenciais da adolescência, esta fase tão dura e sem sentido. O horror, o horror!
» "Malcolm in the Middle" pode até parecer mais um daqueles seriadinhos familiares ruins de doer, mas não se deixe enganar. O ato de arrancar originalidade de um tema aparentemente banal, que eu julgava já estar, há muito, defasado, foi uma das quinhentas mil qualidades que primeiro me chamaram a atenção nessa série. Isso sem mencionar as atuações, irrepreensíveis; o roteiro, maluquésimo, no melhor dos sentidos; a fotografia, coloridíssima, superarrojada e que orna plausivelmente com o tema; a simpatia dos personagens, até mesmo da mãe das quatro pestes mais pestes que já existiram. Tudo nessa fantástica série era maravilhoso, e o mais estranho de tudo é que, no fundo, ela abre espaço para outra não tão divertida: "Oliver Beene"...
» Ora, ora, quem diria que uma série tão bem bolada quanto "West Wing - Nos Bastidores do Poder" teria sido influenciada por... "Spin City"! À primeira vista pode parecer que estou delirando, pois além da temática, elas parecem não ter nada a ver uma com a outra. Mas é correto dizer que West Wing" tem uma visão mais "adulta" do poder, e mostra isso em forma de drama, enquanto Spin City é uma comédia screwball sem maiores pretensões.
» Por fim, temos "Witchblade - A Guerreira Imortal", conto de bruxas por si só difícil de levar. O tema é inacreditável (de forma negativa e no pior dos sentidos) e, por isso, pega pesado nos clichês. Os chavões começam atacando o roteiro, que não tem nenhum diálogo interessante; passa a virose para os atores, um pior do que o outro e termina atacando os fracos personagens. Tem a policial durona, seu parceiro homófobo; o amigo hacker esperto e todo esse blablablá... Atuações exageradas, com direito a gemidos pleonásticos, excesso de gritos de morte escandalosos e mais uma infinidade de outros trejeitos insuportavelmente insuportáveis. Verdadeiramente, um lixo. Mas, há um fator salvador: o chamado estilo videoclípico. Sim, os cortes ligeiros, bem à Guy Ritchie, são algo a se considerar. Se bem que eu não concordo muito com essa infeliz expressão "estilo videoclíptico", pois o videoclipe não tem um estilo único, é muito abrangente. Se antes havia essa idéia (e realmente havia), deveria ter sido esquecida em algum canto do passado noventista, junto com o Vanille Ice e a dupla-infanto-besta-rapper-falsa-do-início-dos-anos-noventa Kriss Kross, mas isso já é outra história. E tudo isso só foi possível graças a outra seriezinha não muito bacana, porém superior a essa lixebinha: "Xena - A Princesa Guerreira".
* Zerada: estilo anos 00’, isto é, fotografia impecável, boas atuações e diálogos quase hollywoodianos,mas com criatividade e senso de humor apurado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário