Não, não, não, quem me conhece sabe que não sou de plagiar porcaria nenhuma. Mas, mesmo sem ter porcaria nenhuma publicada, os desgraçados ainda conseguem roubar minhas idéias gisgrotescas. Sim, sim, sim, irei tratar de uma questão seriíssima: o furto de idéias.
Já falei aqui sobre plágios de seriados, de clipes, de músicas, mas ainda não falei sobre plágios de livros. E nem vou falar, mas sim de roubo de idéias. Já aconteceu tantas vezes comigo que eu até já me acostumei, embora não esteja muito acostumada a me acostumar a ser uma injustiçada...
Eu posso garantir que jamais roubei ou tive intenção de roubar quaisquer idéias de ninguém, nem mesmo aquelas que eu deveria ter tido. Vontade não faltou; oportunidade, muito menos, mas eu resisti fielmente! Pena não poder dizer o mesmo de outros seres sem-vergonha por aí. É evidente que já me senti tentada a fazê-lo, mas não o fiz por uma única razão: relutantemente pertenço à classe dos humanos com mania de escrupulosidade. Estar nesse mundo nojoso e ter que "viver" como humano já é uma desgraceira total, imagina bancar um humano com escrúpulos!
Bahh, vamos aos tais plágios.
O gisconto prosopopéico "Morada Capricorniana" estava concorrendo no concurso Guemanisse de Contos e Poesias, mas perdeu, claro. Provavelmente os juízes bobocas pensaram que fosse um plágio do excelente "Gravata", do Caio Fernando Abreu, mas a grande verdade é que eu nem tinha lido o "Ovo Apunhalado" naquela época em que escrevi o meu singelo conto.
E o plot de "O Quarto Verde", drama do Truffaut em que homem passa a cultuar a morte de todos que lhe são queridos? Eu já tinha tido essa idéia antes de ler a sinopse do filme. Essa idéia é minha, assim como aquela que foi usada em um episódio dos Simpsons, sobre cara que está sendo acusado de algum crime hediondo e só uma pessoa acredita na sua inocência, mas ao final, descobre-se que ele é culpado. Eu estava guardando essa para servir de tema ao meu "Pare de Parar", que seria o titulo do troço.
Várias idéias giselísticas já foram utilizadas em episódios de "Seinfeld", minha segunda série predileta em todo o universo [depois de X-Files]. Ah, quer exemplos: no episódio "A Caixa Forte", vemos George tentando romper com uma mulher que não aceita um não como resposta. Ora, essa idéia é puramente giselística, e eu a utilizaria no romance "Adorável Desespero", que já tinha começado a escrever antes de assistir a esse episódio.
O psiquiatra porto-alegrense Guido Rojas, costuma dizer que a psicologia vai terminar na lingüística, porque no fundo todos os problemas psicológicos são devidos a erros na comunicação inter ou intrapessoal. Ora, ora, essa gisteoria vem desde os meus tempos de colegial babaca. Fui eu que a inventei, fui em que a ela dei forma, e ainda assim não posso provar!
Desde que me conheço por gente (maldito dia!), e até antes disso, queria fazer um vídeo com Lego em stop-motion, já tinha até o roteiro. Aí vem o ano 2001, junto com o Michel Gondry e... o irrepreensível clipaço de "Fell in love with a girl",o primeiro de muuuuuuuitos clipes geniais dele. Caí pra trás quando vi! Puxa vida, ele já é tão genialesco, não precisava roubar nada de mim... Buáá!
E, por fim, na fantástica série policial "No limite da maldade", teve um episódio sobre um assassino serial piedoso, idéia giselística. Não fosse uma seriado tão bem bolado, com roteiro sempre bem amarrado, personagens bem definidos, atores simpáticos e direção firme, eu estaria resmungando, mas não. Neste caso, o único, os roteiristas aproveitaram esta gisidéia com muuuuuuuito mais talento do que eu mesma teria feito. Por isso mesmo é que eu estava guardando essa idéia já havia um mau tempo, justamente por não saber como utilizá-la a contento. Sei que, se eu tivesse escrito algo com este mote, teria originado uma bela lixeba.
Por falar em lixeba, "A casa do lago", filme mediano estrelado pela Sandra Bullock, foi descorajosamente surrupiado da mente gislesca. Essa coisa de misturar tempos narrativos, tão perto e tão longe, isso é coisa minha!
Assim como a base de toda a filosofia de Martin Heidegger, que foi plagiada de mim. Mesmo ele tendo vivido quase um século antes desta aspirante à escritora que vos incomoda, isso não o impediu de me imitar.
E em 2000, criei o Distanismo, que prega que a vida é uma preparação para a morte, tal qual um certo filosofo costumava dizer.
E quanto ao filme "Louca obsessão"? Aquela idéia era minha, minha só minha!
O originalíssimo (no meu tempo era) plot do filmaço "Casa Vazia", sobre jovem que invade as casas de pessoas hipócritas (oras, e quais não são) quando eles estão viajando e faz pequenos consertos. Adivinha só quem teve essa idéia?
Eu pretendia enfatizar as cores no meu novo opúsculo, ainda sem título (nos objetos de cena, nas roupas dos personagens, na claridade dos dias), o amarelo em especial, pois ele sempre foi para mim a cor da "náusea" sartriana. Além do que, é também a cor das alucinações que já tive em decorrência da enxaqueca - antes mesmo de saber que este era um dos sintomas. Pois sim, ainda não tinha lido nada de Lygia Fagundes Telles, por pura falta de interesse [desinteresse que persiste em persistir, a constar] e, no entanto, quando o fiz, não pude deixar de observar que ela sempre homenageou em sua obra a minha segunda cor favorita, o verde. Sendo assim, percebi que se eu incluísse tantos objetos amarelos quanto imaginei, pareceria mais um plágio malfeito. Mas, afinal, se eu tirei meu time de campo antes mesmo de começar a partida, quem NÃO plagiou de quem aí?
segunda-feira, 20 de julho de 2020
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