Deixe-me explicar: Existem os clipes bacanas e os meia-boca (d'oh). Entre esses e os medianos, existem os meio-termos. Meio-termo entre os meios????
Sim, constam aqui, nesta listeca, apenas os clipes injustamente considerados medianos, não aqueles que tentavam, que esses não merecem nenhuma consideração, muito menos os mais notáveis ou os piores.
He, he... Quero ver quem é que tem uma lista assim.
1° Sérgio Britto - Raquel - Alex Miranda: Não podia deixar de incluir esse. Surpreendeu-me ver um clipe do Brito com estorinha, pois tanto seu primeiro clipe solo (da ótima "A Minha Cara"), quanto todos os outros com os Titãs eram muito desnorteados, falando enredisticamente. Se bem que eu adoro o primeiro rebento dele, que traz um avermelhado muito peculiar, bem bonito e impressionante, pois foi colorido por computação gráfica sem, no entanto, parecer artificial. Bem, o enredo deste "Raquel" vem para tirá-lo desse jejum plotístico de sempre. E a vítima, claro, só poderia ser a moça do título, no que se sai muito melhor do que eu imaginaria, boa atuação. O climão (aqui) agoráfobo lembra um pouco o de outro clipe, o de "Flerte Fatal", do Ira! (aqui é o oposto, com personagem claustrófobo), dirigido pelo sempre excelente Selton Mello. Tudo perfeito, só erra no desfecho, onde poderia ter nos brindado com o ápice da narrativa se tivesse incluído, sei lá, talvez alguma cena de briga (peças narrativas da Gigi sempre têm socos, pontapés e líquidos diversos derramados, podem copiar). Teria sido bem mais interessante sua musa atacando-o do que apenas sendo resgatada e o Brito sendo preso.
2° Placebo - Infra-Red - Direção: Ed Holdsworth: Uma junção do apetitoso "Taste in Men" com o especialíssimo "Special K"; a música, uma mistura da mediana "Bitter End" com a facilmente enjoável "This Picture". Puxa, quanta releitura, hein? O Placebo pode ter errado a mão nesse "Meds", mas acertou nos cripo, inclusive no clipe-título, que é ainda melhor do que o de "Infra-Red". Ora, se é assim, por que diabos o próprio "Meds" não consta no lugar de "Infra-Red"? Porque "Meds" consta na lista de melhores, caríssimo lixonauta.
3° Raconteurs - Steady As She Goes - Diretor: Jim Jarmusch: Super 8 é mais que demais, mas eu não achei o resultado desse clipe lá essas coisas, não. O pessoal elogiou e eu, apesar de não discordar totalmente... "Broken Boy Soldiers" não chega a ser tudo isso que andaram falando, muito hype por muito pouco (claro, numa powerband que reúne o queridíssimo Benson e o inquieto White, não era para menos), mas admito que para quem curte um treco ledzeppeliano (não eu), o troço compensa. Aliás, já que estamos comparando, o hard-country-classic-rock-setentista dos contadores de estorietas tá mais para um Steppenwolf (ah, esse sim) ou para um Beatles da vida, e isso é o que os salva. A questão aqui é que o clipe me impressionou tanto quanto as músicas.
4° Vines - Any Sound - Dir.: Oliver Gondry: M@$$$$$$$$$|NH@!!!!!!!!! Esse clipe parece uma versão bem massa em stop-motion do antepassado "Ride", só que bem melhor e sem um bando de teens malas pulando. Em suma, a melhor coisa que o Vines já fez em sua curta vida.
5° Echo and the Bunnymen - Stormy Weather: Lindaço, quase tanto quanto a canção. Quase. Já está mais do que na hora do Echo fazer uns clipes mais originais, mais emplotados, ou seja lá o que for. Sempre a mesma coisa, o Ian perambulando pra lá e pra cá, cantando, olhando para a câmera... Eu sei que uma boa música (e boas músicas eles têm aos montes) geralmente faz um bom clipe, mas não custa dar uma mão. Não fosse esse detalhe do mais do mesmo, o clipezinho do Echo teria caído (subido) direto na lista de melhores. De qualquer forma, não sei bem do que estou a reclamar, pois o clipe é fabuloso, tanto nas estonteantes seqüências em preto e branco (onde praticamente inexistem áreas cinzas) quanto nas genuinamente "coloridas", que não abusam dos nossos olhinhos.
6° Jet - Put Your Money Where Your Mouth Is - Dir: Robert Hales: O clipe é bacana e tal, mas (off) que voz/efeito é aquela??????? O que temos aqui é o que eu chamo de "Síndrome da Clipalização da Medianidade"! Esse "Shine On" todo é mediano (de uma banda que não começou mediana), mas não cabe falar disso aqui, porque ainda gosto bastante do Jet e nada mudará isso. Esse clipe nada traz de novo, e é até mesmo inferior em vários sentidos aos clipes do primeiro disco, o ótimo "Get Born" , de onde saíram duas versões da fofa "Look What You've Done" (versão cenário branco e versão Disneylândia) e uma da possante “Are You Gonna Be My Girl”. Este é tão sem graça quanto a própria canção, de onde só se pode salvar realmente o título.
7° Érika Machado - Secador, Maçã e Lentes - Dir.: Daniel Veloso e Eduardo Zunza: Uma visão feminina sobre os extremos da vaidade aplicados ao "mundo" masculino, numa composição inconstante, sustentada por um clipe escandalosamente simples. Não sei mesmo que diabos eu vi neste clipe para que ele caísse aqui, a não ser: o minimalismo, que reina absoluto, numa pregação bem-feita da filosofia do "menos que é mais"; uma banheira com algumas maçãs, e não uma lotada de maçãs, como ficaria se fosse num dos odiáveis clipes de um desses rappers que desconhecem a real origem do hip-hop; uma cantora que não passa metade do tempo se vangloriando, nem a outra metade em festas nojosas sendo fotografada por fotógrafos de revistas nojosas, mas sim uma artista plástica que tem a sabedoria de não saber a diferença entre as artes visuais, as sonoras, as cênicas ou quaisquer outras. Essa mistureba toda é que faz desse um belíssimo clipe, que não tem nada de mais e consegue ser mais que demais.
8° Gram - Antes do Fim Dir.: Rodrigo Giannetto: Apesar de não ir muito com a cara dessa musiqueta, o clipe tá na lista porque é bacanudo, oras, e também por ter uma direção de fotografia impecável, de encher nossos olhinhos sedentos, coisa que não tinha no primeiro "Você Pode Ir na Janela", e ainda assim fez o maior sucesso, mais pelo enredo e caráter heróico -- tanto do adorável personagem quanto de seu exímio criador.
9° MopTop - O Rock Acabou - 6D Studio e Matheus Araújo: Não é à toa que a banda é o nosso Strokes. Além do estilão dos caras, da temática das canções, dos riffs quebrados strokianos, ainda tem o clipe de "O Rock Acabou". Puro clipe-performance, com tv pra tudo quanto é lado, imagens sincronizadas com movimentos reais, sensacional.
10° Skank - Uma Canção é para Isso: Digam o que disserem, mas a verdade é que este clipe é clichezento e despretensioso como uma comédia romântica (uhh...) e ainda assim transmite certa coerência imagemológica de profunda simpatia. Não sei mais o que dizer sem me comprometer.
Bônus:
» 11° Sonic Youth - Incinerate: Clipe do SY sempre é aquela coisa meio insossa, meio aquém das irretocáveis composições sônicas, bem meio-a-meio... De qualquer forma, as músicas acabam valorizando qualquer imagenzinha que se junte a elas no intuito de ilustrá-las, o que não é para qualquer um. Seria supérfluo falar sobre a importância do Sonic para a música alternativa universal, muitos já o fizeram (muito melhor do que poderia vir a fazê-lo, por sinal), então me contento em comentar apenas que esse primeiro clipe do irrepreensível "Rather Ripped" é super "Disappear", por causa do climão soturno. As diferenças, apesar de bem visíveis, funcionam aqui quase como semelhanças descaradas. Tudo é sufocante e avermelhado neste "Incinerate", com o intuito de incinerar nossos olhinhos (tfu...) enquanto que, exemplificando, o clipe de "Disappear" não força tanto, apesar de deixar tudo tão subentendido quanto nos filmes oitentistas do Lynch; traz uma bela performance da banda, tal qual acontece no lindaço clipecover "Superstar" e em "Dirty Boots" (e o melhor é que aqui é sem platéia) desfocado e o maior mérito: não tem ninguém arremedando nenhuma "coreografia" como aquela coisa assombrosa da sensacional "Bull In The Heather".
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